vamos falar mais!

Essa semana mais uma mulher virou estatística. A violência contra a mulher está por toda parte, toda hora, todo dia. Aconteceu com a escritora Clara Averbuck em um uber. Ela foi abusada sexualmente por um motorista do aplicativo que a tocou nas partes íntimas. Clara contou em depoimento no Facebook que estava bêbada. Ela, no entanto, não quis prestar queixa na delegacia da mulher por acreditar que o sistema não funciona.

A maioria das mulheres que já foram vítimas de estupro ou abusos relatam situações humilhantes ao tentarem prestar queixas nas delegacias especializadas. Pelo que já li, não é só no Brasil não. Aparentemente existe uma verdade absoluta de que mulheres vítimas precisam provar a violência sexual ou o abuso, como se um relato não contasse. E mulheres, somos sempre às vítimas! Não há o que questionar.

Já não é de hoje que casos de abuso ou tentativas de abuso sexual são relatados por mulheres usuárias do aplicativo Uber. Sendo assim, Clara Averbuck criou as hashtags #MeuMotoristaAbusador e #MeuMotoristaAssediador para que outras mulheres relatassem casos de violência sofridos.

Essa questão é tão urgente. Me assusta pensar em colocar uma filha num mundo que objetifica as mulheres, que julga ok estuprar mulheres porque estão bêbadas ou a saia tá curta demais. Retratos da sociedade machista em que vivemos. Os casos de violência contra a mulher são tão corriqueiros que passam quase que despercebidos. No entanto, os casos só crescem e assustam.

Recentemente foi divulgada uma pesquisa que mostra que em 5 anos mais que dobrou o número de registros de estupros coletivos no país. Números do Ministério da Saúde apontam que as notificações pularam de 1.570 em 2011 para 3526 em 2016. São em média 10 casos de estupro coletivo por dia.

De forma geral, o estupro é subnotificado, assim como outros crimes contra as mulheres. Dados do Ipea mostram que só 10% dos casos de estupro são notificados. Isso é tão triste.

As mulheres são suas maiores aliadas. Isso é um fato. União é a melhor defesa contra um sistema atrasado, patriarcal e preconceituoso. Para correr atrás diariamente contra todos os abusos que vivemos, precisamos nos fortalecer na outra.

 

 

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