sempre ele

Ele é o protagonista desse blog. Às vezes, o antagonista nas nossas vidas. Ainda assim, é o único capaz de viralizar tão rápido na internet e garantir muitos compartilhamentos. Ele é o assunto principal numa conversa de bebâdos, num almoço entre amigos e nosso anseio mais profundo quando vamos dormir.

É sempre ele: o amor.
Para quem se considera a tiete oficial do amor, o texto de hoje é um despertar sofrido, um soco no estomâgo e uma constatação polêmica.

Confesso que a primeira vez que admiti isso para mim mesma, também foi um baita choque. Logo a pessoa mais apaixonada pelo amor na vida, considera que nunca amou de verdade?

Pois é.

Tive alguns namorados ao longo da vida. O mais longo foi de 3 anos e uns quebrados. Morei junto, noivei, terminei. Tive muitas paixões. E tive, claro, amores. Eu não tô me contradizendo, acredite!

Quando falo que não amei, não me entendam mal. Amei sim, mas nunca amei na intensidade que eu acredito que posso amar. Nunca amei da forma como vejo alguns casais amando, nunca amei a ponto de sofrer ao pensar em perder aquela pessoa, nunca amei ao ponto de não saber viver sem o outro, nunca amei ao ponto de querer casar de papel passado. Nunca amei ao ponto de estar tão profundamente apaixonada.

Essa semana, um texto do Gregório Duvivier na Folha chamou atenção ao falar do amor que ele sentiu pela ex, a atriz Clarice Falcão. Leia aqui.

Ao ler o texto, fiquei pensando. Eu nunca tive essa sensação. Términos são um cú. Mesmo. Sofri muito quando terminei meu noivado. Porque sua dinâmica de vida muda completamente do dia para a noite. Mas eu não sofri porque estava perdendo meu grande amor. Sofri por convenções de um projeto de vida frustrado. O amor companheiro, construído com base na parceria que ele descreve no texto, eu não vivi.

Amei de forma cômoda. Amei a ideia de amar, mas sempre amei no ritmo dos outros. Para os outros.

O que isso significa?
Eu explico.

Como sempre quis me sentir apaixonada (a eterna busca. Já escrevi disso aqui), me deixava envolver rápido demais. No melhor estilo “go with the flow”, sabe? Se o outro me amasse, eu amava de volta. Se o outro me quisesse, eu queria de volta. Eu não tinha tempo pra pensar em como eu me sentia. Normalmente, as coisas aconteciam rápido demais e quando via, estava no meio de um relacionamento. Não quer dizer que não gostei de todas as pessoas com quem me relacionei, claro que gostei. Algumas bastante! Mas nunca parei para pensar em quanto eu queria de fato gostar delas. Ou em quanto aquele sentimento que eu dizia sentir era de fato legítimo.

O amor é banalizado. Por isso, as pessoas confundem amor com carência, amor com posse, amor com amizade. Posso garantir que 85% ou mais das pessoas que dizem já terem amado de verdade, não sabem o que é o amor. Eu estou nessa estatística.

Essa percepção tem a ver com maturidade. Hoje, com quase 30 anos e alguns relacionamentos na bagagem, sou capaz de enxergar melhor toda essa dinâmica que me colocava. Não me arrependo das coisas, pois aprendi.

Sempre usei como desculpa o fato de que meu signo é intenso. Sou intensa e vivo tudo assim.
Mas é tão bom quando temos tempo para parar para pensar, processar para absorver e sentir. O amor é um sentimento tão puro, que merece ser sentido em cada parte do corpo, da forma mais verdadeira possível.

Sigo em busca.

 

 

 

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