transborde amor pelo seu corpo

Bom dia!

Como já falei aqui algumas vezes na última semana, estou me recuperando de uma conjuntivite que me atingiu pouco mais de 2 semanas. Não fiquem preocupados, isso é super normal no clima seco de Brasília agravado com a imunidade baixa de grávida, mas já estou sendo acompanhada pelos médicos e fazendo o esforço necessário para melhorar. Nada que uma boa energizada na alma não ajude, né?

No entanto, isso prejudicou um pouco a produção semanal de conteúdo em vídeo. O Rolê de Mãe está há mais de 2 semanas sem vídeo novo no canal, assim como o Chilex e Me Passa o Controle, que faço com meu marido. Se Deus quiser essa semana rola!

Nem por isso, quis deixar de vir aqui fazer um post que eu considero bastante importante.
Já falei no lovemojitos.com sobre amor ao próprio corpo, sobre tentar se aceitar mais, sobre ser feliz com quem somos. Um dos posts que fiz foi esse. Assisti esse ano o documentário Embrace, que se não me engano está ainda disponível na Netflix, e é um soco no estômago.

Esse documentário foi feito pela australiana Taryn Brumfitt, mãe de 3 filhos, e aborda um problema na minha opinião de saúde pública que é o ódio ao próprio corpo. Em um dado momento do documentário, Brumfitt entrevista uma profissional que foi durante 7 anos editora da revista Cosmo. E ela fala:

“You have to be hot and skinny all the time. When you are pregnant, you have to be hot. You’re only allowed a bit of a bump. The minute you give birth, you have to be a hot mommy and later a cougar. You have to be hot at all ages. Its a shocking burden…”

Durante a nossa vida toda, há muitos momentos em que sofremos com body policing. O que é isso? Nada mais é do que a mania de ficar policiando o seu corpo e o outro alheio. “Nossa, fulana engordou. Nossa, como ela tá inchada”. “Caramba, fulana na gravidez engordou XX e eu só engordei X”.

Vamos parar!

  1. O seu padrão de beleza não precisa ser o mesmo do outro.
  2. Não há padrão de beleza certo ou errado. Há gente feliz e satisfeita com seu próprio corpo.
  3. Se você anda tão preocupada com o corpo alheio talvez não esteja tão satisfeita com o seu.
  4. A preocupação com o nosso corpo deve ser saudável e não estética.
  5. Parem de transferir inseguranças.
  6. Não é direito de ninguém legislar sobre o meu corpo, minhas tatuagens, minhas curvas. NADA.
  7. Pense profundamente sobre a sua relação com seu corpo. Te coloca para cima ou para baixo? Repense isso.
  8. O que vemos nas redes sociais nem sempre é a realidade.
  9. Não façam dietas malucas de cortar tudo, tomar remédios inibidores de apetite, chás para caganeira. Isso a médio longo prazo NUNCA funciona.
  10. E gente, quando sua relação com seu corpo te leva a pensamentos extremos, remédios, etc, isso é doença. Procure ajuda.

Fomos criadas em uma sociedade em que homem não gosta de osso, mas também ninguém gosta da cheinha. Ou seja, há uma linha tênue entre o que temos que acreditar ser o corpo perfeito. Mesmo que eu tenha um 1,68 e a fulana 1,5 de altura, mesmo que ela tenha curvas e eu não, mesmo com metabolismos diferentes, etc. O padrão de beleza estabelecido é um e assim será cobrado de você. Será cobrado em casa, na escola e consequentemente por você diariamente.

Desde pequena, fui magra. Ora era magra demais e tinha que engordar, ora meu quadril alargou muito e tinha que emagrecer. Me cobrava diariamente. Mas a cobrança ela não surge de uma cabeça de uma adolescente de 13 anos e sim do que ela escuta, assiste e lê. Falar de amor próprio é muito difícil em uma sociedade que restringe como meninas devem se comportar. Amor próprio vai contra o modelo de mulher ideal.

Mas vamos aprendendo ao longo da vida. Vamos reunindo forças. Vamos nos blindando.
Ao longo da minha vida (como tenho certeza que na de vocês também), somos cobradas diariamente a ter um corpo perfeito.

Na gravidez, não seria diferente.
Grávida bonita é aquela que só salta um pouquinho da barriga. Não podemos ter estrias, celulites, ganhar peso é problemático. E assim que temos o filho, a obrigação de ser mãe perfeita, amamentar, se dedicar 100% ao filho, ao marido, a casa. Mas ao mesmo tempo tem que fazer a unha, o cabelo não pode estar feio e o peso precisa sumir rápido.

Fácil ser mulher e mãe né? Tem que tirar tudo de letra e nem pode reclamar. Porque homem não gosta de mulher que reclama e fica chata.
Sim, eu já escutei TUDO isso e mais um pouco. Somos bombardeadas com esse tipo de cobrança. Seja da mãe, sogra, família, amigos e até desconhecidos. Muitas vezes as pessoas não falam, mas pensam isso. Julgam.

Não vou mentir para vocês: fico sim preocupada com meu corpo. Ainda duelo para separar estética, beleza e saúde. Fiz essas fotos de gestante e amei o resultado. A @criscarvalhofotografia tem uma preocupação e um olhar feminino que te acalmam! Mas lá na hora, estava nervosa. Desconfortável por vezes porque a barriga cresceu muito, a coxa não é mais a mesma, e as dobrinhas das costas, etc.

Tenho sim milhões de noias, com as quais lido diariamente. Me apego a besteiras. Mas faço um esforço diário para não me afetar com essas coisas. Para pensar que o mais importante é parir uma filha com saúde e conseguir amamentar. Me esforço diariamente para mostrar para o meu corpo que eu respeito a trajetória e o tempo dele e quero que ele fique à vontade.

Sejamos mais gentis com a gente mesmo. Sejamos mais gentis umas com as outras. A compreensão alheia começa quando há sororidade. 

Paremos de nos comparar a amiguinha de forma pejorativa. Se ela te servir como incentivo para mudanças positivas, perfeito. Caso contrário, não se permita cair nessa cilada da comparação.

O corpo humano é bonito demais por todas as suas mil funcionalidades. Ele já é maravilhoso. Já falei disso aqui. 
Faça as pazes com o seu corpo, converse com ele, aceite ele. Seja gentil.

 

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