somos 1 só e tudo bem

Querida (leia em tom irônico), você nunca será suficiente!

Descobri isso esses dias sobre a maternidade.
Vivemos uma luta diária para nos provarmos auto-suficientes para a nossa cria, Sinto que buscamos de forma silenciosa essa aprovação interna e externa. Ou seja, com nós mesmas e nos outros.

Aprendemos desde os primeiros dias do bebê que essa rotina demanda muito. Os breves intervalos que temos entre as mamadas, golfadas, trocas de fracas e sonecas, vamos lavar roupa, fazer comida, inventar moda, escrever, tomar banho, escovar dentes, etc. Ontem mesmo conversando com uma amiga, também mãe, rimos ao lembrar que já ficamos um dia inteiro quase sem escovar os dentes. Com bebê recém nascido em casa, se você perde a janela de fazer algo, ferrou. Eu mesma preciso aproveitar os minutos logo de manhã em que Sofia fica dormindo sob supervisão do pai para tomar um banho, escovar dente, passar creme, senão só final do dia.

Imaginem como isso não fere a alma de uma pessoa como eu. Eu sempre fui a miss faz tudo. Não admito não dar conta de tudo e sou difícil para delegar. Acredito que de certa forma mulheres são sim multitarefas e se viram super bem assim. O problema disso é nós acharmos que precisamos ser auto-suficientes, não gostar de ter dias ruins e se sentir na obrigação.

Porque a verdade é que faz parte deixar a peteca cair e faz parte não dar conta de uma rotina insana em somente 24 horas. A gente também cansa, a gente também adoece, a gente também se irrita. Hoje em dia, eu já acho que meu dia passa voando sem estar teoricamente fazendo nada demais. Não estou trabalhando 100% e nem estou malhando, imagina quando tiver que encaixar isso na rotina da Sofia?

A impressão que eu tenho é que até nos melhores dias em que eu acho que estou arrasando cuidando da bebê: consigo acordar tomar banho, dar banho nela, colocar pra mamar, arrotar, cochilar, tomar café, etc, tem alguma coisa que não terei conseguido fazer. Talvez não tenha regado as plantas ou tenha esquecido a ração das gatas, Parece sempre que estamos esquecendo alguma coisa… vocês também têm essa impressão?

Pode parecer besteira, mas há uma cobrança velada das outras pessoas. Acabei de ter bebê, mas deveria estar dando mais atenção aos meus bichos de estimação, deveria estar mais arrumada (mesmo em casa), deveria ter perdido o peso da gravidez já, deveria dar mais atenção pro meu marido, aceitar visitas, entre outras coisas.

E de onde vem tantas exigências?
De uma sociedade que ensina que mulheres devem dar conta de tudo sem reclamar. De uma sociedade que prega que os cuidados do bebê são de responsabilidade da mãe, de uma sociedade que argumenta que aquele pai é bom porque ajuda. Pai não é ajudante, pai deve criar igual, as tarefas são as mesmas.

Ou seja, de forma geral a conclusão é a mesma: falta empatia.
Primeiro de nós mesmas com a gente e depois dos outros.

 

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