sobre se amar profundamente

 

Eu sempre fui de planejar tudo: a semana, a dieta, os treinos de corrida. Ficava ansiosa para cumprir minhas metas. A minha rotina de forma geral era bem organizada. Assim como minha casa. Confesso que a única coisa que nunca foi meu forte é organizar armário. Arrumo e 3 dias depois está bagunçado.

Quando vamos ficando mais velhas, vamos entendendo a importância do ser leve. Tentar sempre que possível tirar o peso de certas besteiras que cismamos às vezes. E um dos maiores pesos que carregamos cotidianamente é o julgamento com nossos corpos.

Por mais que as pessoas falem sobre se amar e ser menos exigente com nosso corpo, etc, pra mim essa cobrança era diária. E de acordo com dados recentes que vi no documentário Embrace (Netflix), 91% das mulheres hoje está insatisfeita de algum jeito com sua aparência.

Tentei no último ano fazer dieta rigorosa por conta da maratona que estava treinando. Tentei às vezes de forma bem sucedida e às vezes sem muito controle. Por vezes ao longo de 2017, me vi perdendo o controle da minha dieta ou dos meus treinos. Treinando normal e comendo bem, mas sem grandes cobranças e consequentemente sem melhores resultados.

A verdade é que é sempre uma briga interna entre querer ser mais leve e mais feliz e estar sempre atendendo a minha expectativa de ser magra. A minha expectativa e da sociedade como um todo, diga-se de passagem. Porque se hoje as mulheres não se sentem satisfeitas com seus corpos, é porque fomos bombardeadas a vida inteira com imagens de modelos magras. Esse é o ideal de corpo perfeito. A busca eterna. Mas isso nem sempre representa uma vida saudável ou feliz.

Tradução: A vida é muito curta para perder mais um dia em guerra com você”

Esse documentário foi feito pela australiana Taryn Brumfitt, mãe de 3 filhos, e aborda um problema na minha opinião de saúde pública que é o ódio ao próprio corpo. Foi uma das melhores coisas que tive o prazer de assistir recentemente.

Em um dado momento do documentário, Brumfitt entrevista uma profissional que foi durante 7 anos editora da revista Cosmo. E ela fala:

“You have to be hot and skinny all the time. When you are pregnant, you have to be hot. You’re only allowed a bit of a bump. The minute you give birth, you have to be a hot mommy and later a cougar. You have to be hot at all ages. Its a shocking burden…”

Tudo que vive minha vida inteira, de questionar meu corpo, meus objetivos e tentar me ver feliz num padrão de beleza, a gravidez potencializa.

Eu me sinto culpada de reclamar da gravidez porque estou muito feliz por estar grávida. Sempre quis ser mãe, principalmente mãe de menina. Então, me sinto mal de não estar me sentindo no auge da minha plenitude. Mas a verdade é que romantizam DEMAIS a gravidez. Escutei a vida inteira que na gravidez a mulher fica com brilho diferente, com ar mais feliz, com a pele melhor, mais bonita. E posso falar?

Ainda não senti isso. Os três primeiros meses (completei essa semana) são estranhos. Seu corpo tá mudando. E nem sempre são mudanças que consideramos bonitas. São adaptações de tudo que a vida inteira lutamos contra. Quadril mais largo, peito maior, barriga maior, estrias, etc.

Eu sei que meu corpo precisa passar por isso para proporcionar um ambiente perfeito para minha filhota, mas não deixa de ser difícil. Eu não me sinto bem em quase nenhuma roupa que tenho, meus sutiãs já estão ficando apertados e minha melhor roupa é o meu pijama.

Foi bom ter visto esse documentário hoje porque estava justamente pensando em privações que fazemos a vida inteira, em como nem sempre me olho satisfeita no espelho, em como estamos sempre buscando estar melhor, tem sempre alguma coisa no nosso corpo que nos desagrada, etc.

E a mensagem final é: se ame mais. Ponto.
A maioria das mulheres está no mesmo barco que a gente, portanto, sejamos mais amigas, menos críticas. Começando com nós mesmas.

 

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