simplesmente acontece

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Na arte dos relacionamentos amorosos iniciantes (principalmente! Até porque é a minha área de estudo atual) é preciso que haja um equilíbrio básico entre a paciência para entender o tempo do outro e o respeito pelo seu próprio tempo.

Sou assumidamente intensa. E isso, por vezes, pode ser um problema. Nem todo mundo vai ser assim como eu (senão não teria a menor graça, eu sei). O meu tempo nunca vai ser o tempo do outro. Até porque, contraditoriamente, quando o outro é muito intenso comigo logo de cara, eu não aguento.

Qual seria a diferença? Eu sou intensa no que eu sinto. Eu decido rápido se quero ou se não quero e com isso, quero uma resolução para as coisas. Vamos ao exemplo prático: se eu estou saindo com um cara, mas tenho muitas dúvidas e acho que ele não está tão afim, eu quero pular fora antes de correr o risco de gostar demais.

Não sou intensa, por exemplo, no sentido de expressar as minhas vontades. Quando estou conhecendo alguém, sou bastante contida até. Preciso até me desburocratizar. Também não consigo ser tão intensa ao demonstrar emoções. Claro que isso vai depender do cara. Se eu estiver apaixonada, assumo o que for.

O que acontece é que o sexo entra na equação normalmente no primeiro encontro e isso gera uma expectativa. Aquela velha conhecida nossa: “ah, se eu dei para ele hoje, será que ele vai me ligar amanhã?” Eu tenho certeza que 90% das mulheres pensam assim e lutam contra isso diariamente. Eu sou uma delas. Não consigo conceber a ideia de viver num mundo em que a premissa é essa. Mas é natural por conta das bobagens que crescemos escutando. Talvez na próxima geração consigamos mudar isso.

Se o mundo fosse um lugar lógico, claro que isso não faria o menor sentido. Eu acho mesmo que caras que só querem transar uma vez e não querem mais nada são babacas. Pior ainda são os caras que pensam menos de alguém por conta disso. Qual a graça de transar uma única noite com uma pessoa? Por mais gostoso que tenha sido, pode apostar que a segunda, a terceira e a quarta serão infinitamente melhores.

A questão central do sexo é a intimidade. Homens, se vocês ainda não descobriram isso, melhor correr atrás do prejuízo.

O xis da questão é que com a intimidade, vem os sentimentos. E aí que surgem as possibilidades e consequentemente a vulnerabilidade. E as pessoas lutam contra isso. Aquela sensação de ansiedade, nervosismo, aquela sensação de descontrole. Seria tão mais fácil se pudéssemos controlar nossas emoções, mas aí não seria gostoso viver.

Eu preciso achar um meio termo entre a minha vontade de definir logo as coisas com começo, meio e fim, com a possibilidade de ficar vulnerável e se apaixonar e o tempo da outra pessoa. Isso pode gerar frustração, claro. Mas eu tenho que aprender a administrar isso. Paciência para entender o tempo de cada um, paciência para esperar, paciência para dar tempo ao tempo, paciência com o fato de que não há nada planejado e esquematizado. Acho que essa é uma das maiores lições que a solteirice tem me ensinado.

Outro dia, eu estava em um evento e uma mulher falou que estava há um ano ficando com um cara e deixando claro para ele que não queria ser só amiga dele. De duas, uma: ou ela não estava sendo clara o suficiente ou ela tinha muita paciência.

Tem gente que vai esperar um ano para as coisas com um peguete se desenrolarem. Eu já canso em um mês. Não tem certo ou errado. Tem o respeito com o seu próprio tempo. Se você está tranquila, ok. Mas se não está, foda-se. Coloca o pau na mesa, é tudo ou nada.

Não tô falando de ultimatos. Isso não funciona. Tô falando de honestidade. Abra o seu coração, mas não espere nada em troca. Saiba que aquela atitude pode te custar caro.

Eu já passei muito por isso. Estava com alguém que eu achava que não estava na mesma vibe que eu e eu abri o jogo. Em alguns casos, posso ter me arrependido, mas também já me senti aliviada.

Eu continuo acreditando que a honestidade é a melhor saída sempre. Lembra que eu falei há umas duas semanas sobre saber a hora de dizer chega? Você precisa conhecer o seu limite. A partir do momento que passa a ser agoniante, deixa de ser prazeroso.

Talvez eu esteja errada em buscar respostas rápido demais. Isso é uma coisa que eu preciso amenizar em mim. Tem coisas na vida que são mais gostosas se vividas lentamente. Mas ao mesmo tempo, não acho que estou errada em saber o que eu quero e correr atrás disso. Dizem que escorpião é orgulhoso. Não me considero tão orgulhosa assim. Eu corro atrás mesmo se achar que vale a pena. Mas se eu decidir que não vale mais, me esquece. Viro a página.

Mesmo com todos esses deadlines que muitas vezes colocamos para nós, continuo achando que as melhores coisas da vida acontecem de forma despretenciosa. Sei que neste texto, já me contradisse algumas vezes. Falei lá emcima que eu pulo fora antes de ser tarde demais e quebrar a cara. Mas isso também não é bom. Isso é medo.

Se apaixonar é exatamente a não definição das coisas. É a entrega sem controle e planejamento. É estar vulnerável o tempo todo. E na verdade, os melhores relacionamentos são aqueles que simplesmente acontecem.

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