será que tô ficando velha?

A idade chega pra todos, né? Dramas à parte, é engraçado como percebemos isso em algumas situações da vida. Além da preguiça em sair a noite e preferir jogar buraco nos finais de semana, tô me achando velha demais para ter um crush.

Pelo menos tô antenada com a linguagem atual.

Hoje em dia aquelas paixonites que tínhamos na adolescência viraram os chamados crushes. O nome, oriundo do inglês, popularizou depois do aplicativo de relacionamento, o happn. Agora é o tempo todo: crush pra cá, crush pra lá, vamos impressionar o crush, quero encontrar o crush na balada, etc.

Isso já exclui muitas pessoas que não se sentem parte desse novo mundo virtual da paquera.
Ok, paquera é uma palavra de tia velha.

Começamos a nos achar meio tia velhas mesmo quando nossas frases tem esse início: “na minha época…” E na minha época, os crushes eram as paixões platônicas. E funcionavam.

No comecinho da minha adolescência, lá pelos meus 13 anos, tive uma super paixão na escola. Foi o primeiro menino da escola que gostei. Era aquele sentimento inocente, em que a expectativa era acordar todos os dias para ir para escola, esperar o novo ano letivo começar para ver se íamos sentar juntos, ver qual ia ser a brincadeira nova do recreio. As pequenas conquistas eram super celebradas. “Ah, ele tocou no meu braço hoje”; “Ele perguntou quanto tirei na prova”; “Ele pediu pra copiar meu caderno”. O meu diário tinha conteúdo variado – poemas, frases, fotos, relatos.

Lembro a primeira vez que fomos ao cinema e rolou algo. Ele pegou na minha mão. Fiquei 3 semanas só falando disso. Daí para o nosso primeiro beijo foram meses e meses, mas quem ligava? A beleza dessa época era que as expectativas eram bem menores que hoje em dia. Viajávamos pensando em mil coisas, mas nos contentávamos com o ritmo mais lento, afinal ainda éramos crianças. Ele foi meu primeiro namoradinho. Uma coisa bem forçada da minha parte, mas somos amigos até hoje.
Quando éramos mais novos, íamos levando sem pressão. Para ter um crush era preciso paciência. 
Não sei se tenho mais idade para ter um crush. Acho que hoje em dia as coisas evoluem num ritmo muito mais frenético. Vocês se gostam no aplicativo, no dia seguinte saem. Vocês se conhecem na balada, logo ficam. E da forma rápida como começa também pode terminar.
Na adolescência, a gente cultivava esses crushes por meses (às vezes anos) e ia vivendo com isso. Hoje é bem mais pápum. Claro que os processos são diferentes. Hoje somos adultos e então é natural agirmos dessa forma mais avançada.
Fato da vida é que ninguem curte mais as etapas. Gosto daquela fase inicial da paquera, mas sou imediatista e quero que as coisas se desenrolem logo. É por isso que hoje em dia não temos paciência quando achamos as pessoas enroladas demais. Quando as histórias não são preto no branco, é pra desencanar sem dó. É o nosso atual pensamento. 
Aquela paciência que tive na sétima série com esse meu namoradinho, que demorou meses e meses para finalmente querer ficar comigo, ficou lá atrás.
Éramos tímidos para cacete. Ainda sou hoje e isso certamente dificulta as coisas, mas tenho bem mais atitude hoje.
Quando sabemos extamente o que queremos, fica difícil ter paciencia para esperar, né?
Curtir sentir algo por alguém, curtir descobrir essa pessoa, curtir os encontros do destino. É meio besteira. Parece de novo ensino médio, mas desde quando é ruim nos sentirmos assim?
Acho que a Paula de hoje podia aprender um pouquinho mais com aquela Paula sonhadora do início da adolescência. E talvez a Paula de hoje pudesse explicar pra Paula do ensino médio que ninguém morre de amor, então não precisa sofrer como se aquelas paixões fossem as últimas. São os aprendizados da vida, né?

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