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É evidente que aprendemos muitas coisas ao longo da vida. Quando olho pra trás, vejo que a maioria das minhas desilusões amorosas eram previsíveis. Se tivéssemos o poder de prever essas coisas, ninguém sofreria. No entanto, a vida é um aprendizado constante.

Algumas desilusões são características de fases da vida e portanto têm um papel fundamental na formação amorosa. Desde minha primeira paixão por um primo distante, quando eu tinha 10 anos e ele 17, até daquelas paixões platônicas nos tempos de escola. Essas são as desilusões conjunturais. Todo mundo passa por isso. Só muda o CEP e talvez o alvo, mas o pano de fundo é o mesmo.

Paixões inatingíveis. Normalmente, a diferença de idade é um fator. É comum na infância ainda idealizarmos o príncipe encantado. Somos criadas acreditando em contos de fada.

Claro que não existem príncipes encantados, mas nem devemos falar isso para as menininhas de 10 anos. É bom sonhar. A vida se encarrega do resto.

Se eu tivesse a escolha de apagar as minhas desilusões amorosas, como no filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, dificilmente eu iria querer. Eu sei que quando estamos lá sofrendo e tá doendo para caralho, desejamos isso. Mas aí o tempo faz a mágica dele e tudo se encaixa. É tão bom ser otimista. Ter esperança. Acreditar. Temos céticos de sobra.

Tem aprendizado maior do que sofrer de amor? Aos 16 anos, você acha que vai morrer de tanto chorar, diz que nunca mais quer se apaixonar. Mas aí o sofrimento passa e você se apaixona de novo. E quebra a cara de novo e por aí vai. As decepções, na verdade, perdem o peso com o tempo.

O que a gente aprende com isso? A respeitar o nosso tempo. Não há um prazo máximo ou mínimo para sofrer. A matemática não ajuda nesses casos. Pode [deve] chorar, assistir netflix, comer brigadeiro, pipoca, sorvete, escutar música de “sofrência”. Se entregue livremente a dor pelo tempo que precisar. Quando você menos esperar, tá lá pronta para outra.

A minha psicóloga é uma gênia. Dia desses ela me disse que eu só gostava de caras indisponíveis e quando aparece um cara disponível demais, eu não sei lidar. É tipo um alien na minha vida.

A questão central aqui não é disponibilidade de tempo [isso pode ser um problema se for excessivo – tipo dedicação totalmente exclusiva] e sim do coração. Não importa se o cara está disponível para gostar de mim se eu não estou.

O cara indisponível é também aquele inatingível. É na maioria das vezes o cara casado, namorando, o solteirão convicto, o conquistador barato ou até mesmo aquele relacionamento a distância. Sabemos desde o início que aquilo ali não pode virar nada. Há prazo de expiração. Não construímos um dia a dia com esse cara, por isso vivemos dos sonhos e cenários imaginários. Há menos cobranças, o que torna o tempo juntos mais prazeroso. Ao mesmo tempo, não há um relacionamento, só uma relação.

Talvez busquemos caras assim quando temos medo de nos evolver seriamente e sendo ele um cara indisponível, não vamos correr esse risco. Essa é uma análise.

Tem um pouco do mesmo comportamento da infância em que tínhamos paixões platônicas por caras inantíngiveis. É talvez a vontade de viver e sentir algo, mas de forma fantasiosa. A diferença é que depois dos vinte e poucos anos, isso é feito conscientemente e com um envolvimento físico – o que pode complicar bastante as coisas.

[Se formos pensar nas mil possibilidades, melhor trazer logo uma garrafa de vinho.]

Boa notícia: o tempo e a idade trazem maturidade. Com isso, você passa a se compreender melhor e valorizar isso. Não é uma tarefa simples priorizar você, mas é gratificante.

Você passa a saber exatamente o que você quer e espera em um namorado. Ainda na parceira Love Mojitos e Editora Guarda-Chuva, vou compartilhar alguns trechos do livro “Manual da mulher solteira – um guia para amar e curtir sozinha ou acompanhada”. A autora Elizabeth Koosed fala em mais de um capítulo de coisas que se encaixam com esse meu texto.

Já no primeiro capítulo, ela fala da importância de estarmos em um relacionamento com alguém que acredita nos nossos sonhos. E gente, isso é fundamental. Esteja com alguém que tenha orgulho de quem você é. A recíproca tem que ser verdadeira.

Um dos trechos mais marcantes do livro para mim é no Capítulo 4: Confie em si mesma. A autora Elizabeth Koosed fala sobre descobrir o que a incomoda em um relacionamento.

“Conforme você e seus relacionamentos amadurecem (o que exige tempo e paciência), você aprende a identificar seus gostos pessoais, limitações e tolerâncias. Quanto mais consciência você tem das circunstâncias que a fizeram ficar irritada, decepcionada ou desconfortável no passado, mais assertividade tem para se expressar e saber quando dizer não ao seu parceiro atual. Os relacionamentos são mais saudáveis e mais íntimos quando os dois sentem que têm liberdade para expressar suas necessidades e impor limites sempre que necessário. À medida que você aprende com as experiências do passado, adquire a capacidade de deixar claro para o seu novo amor exatamente quais tipos de comportamento e situações são aceitáveis para você e quais não são. O objetivo de saber exatamente o que você tolera é ser capaz de identificar um problema quando ele está começando, e ter agilidade suficiente para cortar o mal pela raiz antes que ela assuma proporções maiores.”

Como eu SEMPRE falo, sejam sinceros com suas vontades. A sinceridade só traz clareza aos relacionamentos.

Estão gostando dessa parceria? Tenho mais dois textos programados até dia 04 de novembro, que será o evento de lançamento do livro no Rio de Janeiro. 

Quem quiser comprar o livro, vende online. Mais informações na página do Facebook deles. Clique aqui

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Uma resposta to “estar disponível”

  1. 21 de outubro de 2015

    Luciano Responder

    Viajei no seu texto… E, pensando bem, mais concordo do q discordo.
    O lance da idade é definitivo. Acho q nas relações entre as pessoas as experiências acumuladas são determinantes para apontar o caminho mais longo ou o mais curto. Mas não só. Saber administrar as frustrações e as expectativas, tb. Entende? De qualquer modo, gostei!!!

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