romance casual existe?

Duas palavras que não combinam nos dias de hoje: romance e casual.
Se quer romance, não pode ser casual. Se é casual, dificilmente vai haver romance.

Pelo menos é o que nos ensinam por aí, né?
É tudo sempre tão cheio de regras de como se comportar, dicas para não parecer muito interessada, hashtags das azamigas que a gente vai se podando.

Hoje em dia parece que ser romântica virou crime. A graça é ser coração de gelo. Quanto menos sentimento você verbalizar, melhor. Aquele tipo meio escorpião com ascendente em gêmeos ou áries. A vibe é do desapego total.

Chorar em cerimônia de casamento, colecionar datas comemorativas e fazer surpresas nem pensar! Parece que não podemos mais dizer que gostamos de ser mimadas e cuidadas. Eu gosto e não me sinto menos independente ou bem resolvida por isso. Quando há uma troca é gostoso fazer as coisas pelo outro.

Mas a verdade é que na maioria das vezes, fazemos caras e bocas, pagamos de descoladas, mas também queremos um romance pra chamar de nosso!
Claro que não é com todo mundo que queremos viver algo assim.

Sou cheerleader do amor, cês sabem! Mas até tietes assumidas têm dias difíceis. Confesso que às vezes não sei bem como me comportar. Fico com vergonha de ser mais carinhosa ou dar presentes se o cara não for namorado. Mesmo conhecendo ele há bastante tempo.

Há um filtro que colocamos naturalmente. Eu mesma não falo quase nada. Tenho dificuldade até de ser mais fofa.
Um dia alguém falou que é importante as relações terem rótulos que as definam. E nós estamos até hoje acreditando!

Ser namorado ou não, não faz diferença. Porque a intimidade é algo construído. Mesmo que você fosse pedida hoje em namoro, você não vira uma chave automaticamente e começa a se comportar de outra forma. Vocês vão se moldando como um casal com o passar do tempo.

Quando estamos saindo com alguém que gostamos ou até no início do namoro, ficamos pensando: até onde é romântico demais? Até onde posso ir? Até onde posso me mostrar vulnerável?

Eu tenho esse “problema”. Falo muito pouco (já fiz post aqui sobre isso!) por receio de estar sendo melosa demais. E isso teoricamente não é apropriado. Escrevendo agora, percebo que eu me coloco mais amarras, provavelmente, do que existem de fato. Sou daquelas que interpreta o diálogo várias vezes na cabeça antes de criar coragem para falar.

Afinal, quem dita o que é ou não apropriado?
Quem disse que precisamos de rótulos para definir as relações? As relações estão nas sensações. E o que vence para mim é pele. Sabe aquele contato que eletriza?

Sou romântica desde criança. Não é todo mundo que me conhece que sabe disso. De cara assim, sou esquisita e até meio fria às vezes. Outro dia, chorei conversando com minhas amigas aqui de Brasília – isso é raríssimo. Poucas pessoas já me viram chorar. E uma delas me falou: “Você acha que você é coração gelado, mas você não é!”

A verdade é que adoro comemorar datas, adoro dar presentes sem motivos e adoro planejar as saídas. Adoro ser melosa e carinhosa. É claro que quando se está solteiro, não é assim. Não dá para sair planejando viagens e jantares românticos.

Os relacionamentos casuais (fiz post aqui sobre isso também!) acabam que tiram um pouco essa espontaneidade da gente. Com medo de criar muita intimidade, de passar a mensagem errada, de parecer apaixonada. Por puro medo! Essa é a verdade! E às vezes por medo de estar sim se entregando e se envolvendo.

Temos medo de nos permitir. Às vezes a relação casual baseada em netflix + junk food pode desenvolver em alguma coisa mais consistente e constante. Vai saber né?

 

 

 

 

 

 

 

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