road trip na infância: parte 1

A crônica de hoje será contada em partes…
Vou começar a contar para vocês o que eram as minhas viagens para Curitiba todo ano.

Pense numa família que amava viajar de carro. A minha. Minha mãe sempre detestou avião e todo ano, em dezembro, íamos para Curitiba de carro. Do Rio, parando para comer e fazer xixi, dá mais ou menos umas 13 horas sem muito engarrafamento. Eu confesso que durmo bem no carro (ou em qualquer lugar!), então viajar muito tempo nunca foi um problema. Pode parecer simples contando aqui, mas gente se tem uma coisa que tenho história para contar é das viagens anuais ao Paraná. Dá um livro fácil! Inclusive, a primeira vez que vi o filme Pequena Miss Sunshine, me identifiquei muito.

O planejamento tinha que começar muito antes, porque muitas vezes meus avôs iam com a gente. Então, vamos lá: éramos eu, minha irmã, mãe, pai e avôs. Minha mãe e pai normalmente iam para passar uma semana, porque trabalhavam. Minha mãe era bastante econômica na bagagem. Eu dividia uma mala com a minha irmã e assim poupávamos espaço. Minha vó,no entanto, parecia sempre que estava de mudança. Levava umas cinco malas. Sou certamente neta dela porque não tenho nenhum dom para arrumar mala e sintetizar meus pertences.

O estresse, portanto, começava com meu pai arrumando o carro para caber todas as malas da minha vó, mãe dele. Ele bufava de raiva. Pelo menos, minha mãe tinha outro dom: arrumar o carro para as viagens. Milagrosamente, tudo encaixava. Ainda assim, era tanta coisa que não cabia no porta malas do carro, então colocávamos aquela lona em cima do carro com o restante da bagagem.
Para amenizar, a lona ainda era MUITO laranja. impossível perder o carro no estacionamento. Apenas.

Pós estresse das malas, saímos às 5h e só parávamos às 7h para tomar café. Nunca perguntei para ele, mas tenho ceretza que esse era o momento que meu pai mais gostava. Carro silencioso. Madrugada. Há uma beleza óbvia em um carro de 6 pessoas completamente em silêncio.

Até São Paulo, íamos bem. Intercalando as fitas do meu pai, que nesse sentido apurou meu gosto musical. A parte musical é hoje umas das minhas melhores lembranças, apesar de na época sentir uma leve frustração por não poder escutar Mamonas Assassinas.

A chegada em SP era sempre perto da hora do almoço e sempre – nos mais de 15 anos que viajamos anualmente de carro – tinha um trânsito cabuloso. Não era acidente, não era nada, era só muito carro. Às vezes ficávamos andando lentamente por cerca de 2 horas. Imagine com fome! Sempre fui mal-humorada com fome.

E assim, íamos até Curitiba.
Lembro que eu e minha irmã íamos contando carros, vibrando a cada mudança de estado e jogando gameboy.

Quando eu conto essas histórias, é sempre de forma bastante folclórica (me senti a própria família da Pequena Miss Sunshine quando vi o filme), mas a verdade é que tenho só lembranças maravilhosas dessas viagens de carro.

A última foi em 2010 e hoje fica a saudade.

Author Description

Sem respostas para “road trip na infância: parte 1”

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado Campos exigidos estão marcados com *


*