Relato de parto

Dividi minha gravidez aqui, assim como outras coisas da minha vida, do início ao fim. Então, hoje vim aqui contar do dia mais especial da minha vida: o dia que a filhota nasceu! Sofia nasceu dia 13/01/2018 às 12h17. Contar a minha história de parto não vai mudar a sua vida, mas mudou a minha. Tudo que conto aqui é pessoal.

Ainda é cedo para absorver tudo que aconteceu porque não deu tempo. Fui inundada por um amor surreal. Sem medidas. Então, nada do que eu escrever aqui será suficiente. Perdoem o texto longe de ser um dos meus melhores, mas cheio de emoção.

De todos os clichês da vida ser mãe é o maior deles. Porque de fato bate um coração fora do peito, de fato é inexplicável o amor, de fato me apaixono mais e mais a cada dia que passa. Sendo que a Sofia não tem nem 5 dias de vida.

Sim, todos os ditados de amor sobre a maternidade se concretizaram de forma tão espontânea e imediata que me tornei uma daquelas mães. Quero postar fotos todos os dias no Instagram, mando fotos fofas no grupo da família e gravo vídeos com voz de bebê enquanto falo com ela.

Desde o início, minha expectativa era fazer parto normal. Me preparei pra isso. Li bastante, me orientei com meu médico e fiz fisioterapia urogineâologica. Mesmo sofrendo com a pressão cesarista da nossa sociedade, me mantive firme até 40 semanas e 5 dias. Eu não tenho NADA contra quem opta por fazer cesárea, acho que é sim uma escolha, mas não queria para mim. Sabia que o parto normal a recuperação seria muito melhor. Sempre falei que só faria cesárea se fosse necessário para nossas vidas.

Entrei em trabalho de parto na sexta-feira, 12 de janeiro. Começaram as contrações nada ritmadas logo pela manhã e foram se intensificando ao longo do dia. Estava tranquila, apesar do medo. Normal. Com todo o preparo do mundo, ainda teremos medo de algo que desconhecemos. A maternidade é assim todos os dias.

O processo foi como manda o ritual. Contrações ritmadas e doloridas, muito doloridas. Hora de ir para maternidade. Internei com 7cm de dilatação e estava animada. Me sentia preparada. O médico disse que “nesse ritmo logo logo iria parir”. De certa forma, sempre pensei assim: ‘vai ser dolorido, mas acaba.”

Para quem se interessar, fiz todo meu pré natal na Maternidade Brasília com Dr.Caio Molina. Só tenho elogios à equipe. No entanto, optamos por não pagar a chamada taxa de disponibilidade de 5 mil reais que ele cobrava para estar comigo no dia do meu parto. Sendo assim, tinha que entregar na mão de Deus e Nossa Senhora do Parto para ser atendida por um bom plantonista que fizesse meu parto do jeito que eu queria.

Depois de muitas contrações, exercícios na bola e banhos quentes, tinha dilatado nada além dos 7cm do início da madrugada. Estava há muitas horas em trabalho de parto. A bolsa só rompeu lá pelas 11h da manhã de sábado. Quase enlouqueci.

Quando estamos sob dores fortes, a gente delira, pede mil coisas, esquece o porque daquilo tudo. Eu sabia que essa fase chegaria, mas não me preparei para ela. Não imaginei o quanto mais eu precisaria preparar meu psicológico para ir até o final com o parto normal.

Eu pedi ocitocina na veia para acelerar a dilatação, mas com isso viriam dores mais fortes. A ideia era que o corpo respondesse ao hormônio intravenoso e eu entrasse logo mais na fase expulsiva do trabalho de parto. Com a ocitocina, o corpo deveria começar a ritmar mais as contrações. Teoricamente seriam contrações intensas de minuto em minuto. Mas comigo isso não aconteceu. As contrações começaram a ficar super intensas e espaçadas. Cada vez que vinha uma eu me questionava. Poderia já estar com minha filha nos braços.

Depois de 5 horas, eu não tinha avançado dos 7cm. Estava em “quase 8 cm” há muito tempo e meu corpo já não aguentava mais. Eu pedi cesárea, mas não fiquei frustrada ou decepcionada comigo mesma. Achei que fosse ficar, mas não fiquei. Optei de forma altamente consciente, apesar da dor.

Uma coisa legal foi que não optei pela cesárea lá no início, sem saber a data que seria escolhida pela minha filha. Optei como última opção, no dia dela. Acho que foi melhor assim.

Outra coisa bem bacana foi que a equipe de plantonistas que fez o meu parto na maternidade colocou uma música que eu escolhi na sala de cirurgia e assim que tiraram a Sofia da barriga deixaram ela no meu braço. Bem humanizado mesmo. Depois da cirurgia, ficamos (eu, ygor e ela) durante 3 horas juntos numa sala de recuperação. Não me separei da Sofia hora alguma.

No final das contas o que importa para mim é que ela nasceu com saúde. Poderia ter sido de outro jeito, poderia. Mas foi do jeito que tinha que ser. Agora é curtir a bebê e babar muito.

Espero que tenham gostado do meu relato! Minha ideia aqui era só compartilhar minha experiência mesmo e não apontar o dedo ou dizer o que é melhor ou pior.

 

 

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Posts recentes

10 Respostas to “Relato de parto”

  1. 16 de janeiro de 2018

    Laura Benck Responder

    Amiga, que momento mais lindo! Fiquei radiante com a notícia! Sofia já está cheia de titias babonas, tenho certeza, e aqui tem uma cheia de amor por ela <3 Você foi muito corajosa desde o começo e não tenho dúvidas de que tudo acontece da forma que deve ser, a melhor. Parabéns, mamãe! Amo vocês!

  2. Ela é linda. Parabéns agora babe muito, dê muito colo, peito e beba MTA água pois é isso que dá leite.
    Deus abençoe todos.
    Beijão.

    Amo isso tudo aqui

  3. 16 de janeiro de 2018

    Lucas Responder

    Que barato Paula, parabéns! O meu filho nasceu em novembro e foram 40 horas de trabalho de parto, pq a dilatação não acontecia mesmo com a ocitocina, se fosse no Brasil teria sido cesárea com certeza. Foi bem tenso na real, foram dois dias super puxados e eu acho que cesárea teria sido bem mais tranquilo (até pq ele nasceu com 4,100). Mas enfim boa sorte, boa recuperação e tudo de bom pra vcs 🙂

  4. 16 de janeiro de 2018

    Clarissa Responder

    Muito interessante e bacana seu relato. Vale pra muitas mamães de 1a viagem que fazem planos que as vezes têm que ser adaptados e nem por isso precisam se sentir mal por isso… foi tao bem relatado que parecia estar la com voce vendo tudo que se passou. O importante mesmo é que as duas estao bem e saudaveis, prontas pra uma vida de amor e aventuras com papai, avos, tios e esse mundao!

  5. 16 de janeiro de 2018

    Maira Nunes Responder

    Paulinhaaa! Que momento lindo! Gostei de saber viu? Estou tendo outra visão de parto cesárea e olhe que ainda não engravidei. Saiba que seu relato está cheio de emoção, transbordando mesmo! Já indiquei seu relato a amigas grávidas hehehe. Sentimos isso! E que Sofia é uma fofa e querida! Um grande beijo pra família!

  6. 17 de janeiro de 2018

    VASTI MARANHÃO Responder

    Bom dia, Paula!
    Tudo bem com vocês?
    Eu super amei o texto, pois, por mais que seja seja bem pessoal, e de fato é, tem como tirar aprendizado dele. Cada gravidez tem sua particularidade, mas achei super importante e interessante você relatar a questão de não ter escolhido desde o começo se seria cesária e sim aconteceu naturalmente. Não sou mãe ainda, mas a partir de um texto rico desses ajuda muito futuras mamães. Desejo muita saúde para a linda Sofia, para você e sua família. Forte abraço!!!
    Vastí Maranhão

  7. 17 de janeiro de 2018

    Franciele Responder

    Lindo! Não tem uma mãe que não se emocione lendo um relato de parto! E todas as vezes que vc ler tenho certeza que ira se emocionar e lembrar desse momento tão único, incrível, inexplicável… é só amor! E de todos os clichês de mãe, aí vai mais um: aproveite cada segundo, pq passa muito rápido. (e como passa)!
    Beijos!

  8. 17 de janeiro de 2018

    Julia Giacomazzi Responder

    Relato lindo e emocionante!!! Parabéns pela força e pela filha linda!! Beijos grandes!!

  9. 18 de janeiro de 2018

    Sem comentários Responder

    Onde estava sua Doula??? Faria toda a diferença nesses 2 cm…

    • 30 de janeiro de 2018

      paula filizola Responder

      Eu não tive condições financeiras de contratar uma doula. Nem sempre é possível, mas me preparei o máximo que pude para um parto normal. O que relatei aqui foi extremamente pessoal e não acho que cabem julgamentos desse tipo. Acho muito importante o trabalho de uma doula, mas as pessoas não são “obrigadas” a contrata-las. Mais compaixão com a experiência dos outros.

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