Palpitando sobre a maternidade

A gravidez é uma fase de muitos palpites e comentários na maioria das vezes pouco encorajadores. Mas isso piora depois que o bebê nasce. Acreditem.

Constantemente escutamos:

  • Quem dá colo demais corre o risco de ficar com filho mimado.
  • Ah peito demais? Vai ficar prisioneira da criança que só quer acalmar no peito.
  • Dorme na cama com vocês? Acabou a vida de casal.

E por aí vai. A lista é grande. Palpite é o que não falta.

É como se existisse um manual de regras e etiquetas da maternidade escrito a muitas mãos. O manual que é apresentado para os pais de primeira viagem toda vez que eles fazem alguma coisa que de certa forma vai contra o que está pré-estabelecido. Sempre que julgarem o comportamento daquele pai ainda em fase de adaptação de errado, desce a lista do que é certo pro SEU filho.

A verdade é que todo mundo acha que sabe mais do seu bebê do que você. Vão te dizer quando ele tem que comer, o que ele deve comer, se ele deve ou não usar chupeta, porque ele tá chorando, se ele tem cólica ou não…. Todo mundo acha que a experiência que eles tiveram na maternidade foi a mais esclarecedora. Portanto, todos se acham no direito de tecer opiniões sobre a sua forma de materna.

E pior podem achar ruim quando você não gostar. Na primeira consulta do pediatra da Sofia, ele falou: vão te chamar de enjoada, mas você tá certa. Obs: isso sobre não querer que todos pegassem ela no colo assim tão novinha!

O que não lembram é que eles também foram mães e pais de primeira viagem. Que eles também erraram e acertaram tantas milhões de vezes. E que eles também certamente se irritavam com todos os palpites, comentários, crendices.

A maternidade é em muitas coisas instintiva, mas em outras não. Como tudo na vida, a maternidade também é um jogo de erros e acertos. Tentativa, adaptações. O que funciona para um pode não funcionar para os outros e etc. Desde a chupeta que você quer ou não dar até a educação que você acredita ser melhor.

Cabe às pessoas respeitarem a individualidade de cada experiência. A minha maternidade não é algo coletivo, mas tenho a impressão que as pessoas são se contentam em serem meros espectadores. Todo mundo quer dar um palpite e todo mundo tem a solução.

Eu sou a mãe que dá colo sempre. Toda hora se a Sofia quiser. Não vou deixar chorando no berço. Não quero que coma açúcar. Quero dar peito o quanto ela quiser pelo tempo que eu tiver leite. Posso mudar de opinião hoje ou amanhã? Talvez. Mas aí será a minha consciência. A minha forma de maternar a minha filha.

 

Author Description

Posts recentes

Sem respostas para “Palpitando sobre a maternidade”

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado Campos exigidos estão marcados com *


*