os julgamentos que rolam

Fato da vida é que nós mulheres somos julgadas todos os dias e bastante julgadas. Pela nossa roupa, corte de cabelo, porque vamos ou não no salão fazer a unha, porque somos feministas demais ou porque nos envolvemos pouco com determinados assuntos, porque passamos muito tempo no trabalho, etc. Mas o maior julgamento de todos chama-se maternidade.

Começa com a imposição da sociedade em querer que todas nós sejamos mães. Temos que desejar isso e concretizar isso, caso contrário nos consideram menos mulher. Crescemos escutando isso. O Congresso legisla sobre nossas vontades e corpos, etc.

Difícil. Cansativo. Diário.

Aí esses dias saiu uma notícia no Estadão falando que uma mãe estava em um restaurante com o marido e o filho pequeno e deixou o filho dormir nas cadeiras do restaurante. Para surpresa dela, ela recebeu um bilhete de uma senhora dizendo que ela era uma péssima mãe.

O que dá o direito de uma desconhecida fazer esse tipo de julgamento?
Nada dá esse direito, mas as pessoas se sentem com essa liberdade simplesmente por ela ser mulher. Ninguém julgou o pai. A mãe é a representação de pessoa que tudo tem que dar conta, é a representação da única responsável pela criança.

Senti demais isso desde o início da gravidez. As pessoas o tempo todo julgando. O que você come, quanto você come, quanto sua barriga cresce, etc. Como se fosse uma eterna competição entre você e outras grávidas para ver quem está se saindo melhor. Como se isso fosse medir alguma coisa.

Escutei: “ah, mas fulana conseguiu parto normal em duas horas.”, “Mas fulana teve a gravidez tão tranquila”. “Fulana, comeu o que quis e nem engordou direito”.

Ou seja, do momento em que você se vê grávida começam os apontamentos de como deveria estar sendo. Claro que isso também diz muito sobre a minha não capacidade de ligar o maior foda-se da vida.

E isso só piora, né? O bebê nasce começam os julgamentos porque você não consegue amamentar, porque você não emagreceu mais do que ganhou na gravidez, porque se você quer eventualmente deixar seu filho para retomar a rotina de esporte, porque tudo. Tudo é motivo.

Eu gostaria sim de ter uma capacidade maior de não me importar com o que falam, mas eu gostaria também de não precisar disso. Falta empatia para caralho. Sim. Falta. Das próprias mulheres muitas vezes. Ainda assim, existe um longo caminho até os porquês pararem.

 

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