os absurdos que lemos, vemos, vivemos

Bom dia,

Espero que vocês me perdoem, mas ainda não conseguimos voltar com os vídeos semanais. Vamos correr atrás do prejuízo essa semana ainda para semana que vem estar tudo perfeito. Como já expliquei, fomos abatidos por uma conjuntivite. Mas já já estaremos 100%.

Chega de explicações e vamos ao post de hoje, né?
No dia 26 de julho publiquei aqui no lovemojitos.com um post sobre um sérium iluminador e esfoliante de vagina que tinha sido lançado como The Perfect V. Relembre aqui esse absurdo.

Nessa época já fiquei chocada com o fato do Brasil ser o maior recordista mundial em cirurgias íntimas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, no ano passado foram realizadas cerca de 25 mil intervenções íntimas no país. Este número corresponde a 1,7% das cirurgias estéticas no Brasil. Aí saiu uma matéria essa semana na Folha de São Paulo exemplificando esses dados e falando que as cirurgias na vulva deixaram de ser tabu entre as mulheres. Só me leva a um gigantesco ponto de interrogação. Sério que ainda existe esse tipo de matéria, título, jornalista, entrevistados, etc? A matéria poderia ser positiva se trouxesse um tom crítico, questionando tudo isso. Mas não, a matéria era conservador. Colocando mais uma vez homens x mulheres e como a NOSSA insegurança nos leva a procurar métodos intervencionistas de estética.

Foram 138 mil labioplastias em 2016 no Brasil. O segundo colocado no ranking é os EUA com pouco mais de 13 mil cirurgias como essas.
Leiam vocês: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/10/1925738-mulheres-encaram-laser-e-cirurgia-por-vulva-ideal.shtml

Esses números realmente me entristecem porque percebemos que ainda existem muitas mulheres insatisfeitas com seus corpos e seus detalhes. Ninguém se torna desgostosa do corpo por conta própria. Acreditem! Há muita influência externa. Ou é totalmente interferência externa.

Uma das entrevistadas fala que nunca tinha se importado com o volume dos lábios até o marido comentar (segundo ela em tom de brincadeira!) que ela tinha “um negócio pendurado”. Gente, quantas coisas absurdas em uma frase. Que tipo de relacionamento é essa? Que tipo de pessoas são essas? Deprimente pensar que a pessoa que ela mais ama no mundo não aceita o corpo dela e a influencia diretamente a procurar uma intervenção estética, seja ela qual for.

Precisamos refletir bastante sobre o porque fazemos certas coisas. Está errado se cuidar? Querer se vestir? Colocar lingerie? Passar maquiagem? Não. Está errado eu me sentir na obrigação de fazer qualquer dessas coisas porque alguém falou, sugeriu, me olhou estranho. Tá errado as mulheres comprarem uma calcinha sexy de rendas para alguém querer transar com elas ou se depilarem para garantir que o cara não terá nojo.

A verdade é que somos bombardeadas diariamente por termos nascido exatamente do jeito que somos. Imagina isso, né?
O tempo todo tem pessoas apontando defeitos, impondo padrões e defendendo intervenções para que o NOSSO corpo seja mais de acordo com o que ELES querem.

Ninguém nunca pergunta o que nós queremos ou achamos.

A gente não consegue aceitar nosso próprio corpo em seus mínimos detalhes porque primeiro não somos ensinadas sobre ele de forma natural. Não se pode falar de menstruação, de peito, de prazer. Pode perguntar: quantas meninas olham para sua vagina, a conhecem, se tocam? Ainda assim, agora essas mesmas vaginas que são menosprezadas ganharam produto de beleza e viraram estatística. Porque mesmo sem conhecê-la bem, sabemos que ela não presta. Nos dizem isso diariamente.

A matéria fala sobre como essas cirurgias estão se popularizando porque as mulheres deixaram de encará-las como tabu.
Hmmm… o tabu é também da parte da mulher porque realmente somos podadas o tempo todo quando o assunto é nossa intimidade, mas muito maior da parte dos homens que se sentem no direito de reivindicar qualquer coisa sobre o nosso órgão genital. Seja um formato diferente, uma cor, cheiro, depilada, etc.

A verdade é que esse assunto é sempre muito debatido aqui porque ele nunca se encerra, né?
Ainda há muito que precisamos lutar. Infelizmente a batalha é diária.

A Dove, que muitas vezes já acertou quando o tema é falar sobre a beleza real das mulheres, errou essa semana quando fez uma propaganda que insinuava clareamento de pele. Mulheres negras trocando de roupa até chegar numa tonalidade branca. Racismo puro e simples. Eles se desculparam, mas o estrago nas redes sociais foi enorme.

Ainda assim, optei por dividir com vocês uma propaganda mais antiga deles que questiona as mulheres num ponto central disso tudo:

“Quando você parou de se achar bonita?”

Quando paramos de nos olhar no espelho com curiosidade? Quando passamos a nos preocupar tanto com o que os outros iriam pensar daquela roupa ou do fato de estarmos livres sem sutiã ou sem maquiagem? Quando começamos a buscar comportamentos adequados e não confortáveis? Quando passamos a trocar confiança por ansiedade? Quando que passamos a olhar para o nosso corpo com desconfiança ou por vezes raiva? Quando que passamos a nos sentir estranhas por sermos mulheres? 

O vídeo foi criado questionando por que as mulheres, quando adultas, se escondem: “O que aconteceu ao longo do caminho? Convidamos as mulheres a refletir sobre em que momento de suas vidas elas se tornaram tão autocríticas a respeito de sua beleza e incentivá-las a revelar sua beleza real.”

 

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