o verdadeiro sentido de ser descolada

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Temos a mania de rotular as pessoas. Pro bem ou pro mal.
Fazemos isso naturalmente. Instintivamente.

Os homens classificam as mulheres sempre. A partir do momento que eles as conhecem.
Mas não é exclusivo deles. Nós também fazemos. Na maioria das vezes é uma classificação machista e mega estereotipada.

É aquele pré-julgamento. 

(eu sei que lutamos contra isso, mas ainda vivemos resquícios de uma sociedade super paternalista. Estamos tentando nos libertar. Portanto, até a mais feminista de todas corre o risco de escorregar)

Tudo que é extremo é duvidoso. Ninguém é uma coisa ou outra. Ninguém pode ser classificada por uma característica só. Isso empobrece as relações. Minimiza as coisas.

Tenho escutado muito de mulheres que os homens as classificam como descoladas. Eu também escutei muito isso ao longo do último ano.

Novamente uma visão limitada. No meu caso deve ser por conta das tatuagens e um quê mais independente de quem tem Lua em Aquário.

(acreditem: ainda julgam muito mulheres com tatuagens!)

Já reparei que taxar a mulher de descolada é um mecanismo masculino para justificar possíveis atitudes futuras.

No entanto, ser descolada (o que quer que isso signifique) não faz da mulher menos humana.

Ser descolada não significa que aceito qualquer coisa, que escuto certas coisas sem me importar. Ser descolada não significa não ter sentimentos.

Pelo contrário. Eu transbordo emoções. Vivo para sentir.
O que acontece, porém, é que como muitas pessoas eu criei uma máscara.

Não me abro com qualquer um, apesar de ser extravagante e por vezes bastante falante. Todo mundo constrói barreiras internas e usa máscaras. Essa máscara só cai quando ficamos vulneráveis.

E não é para todo mundo que queremos nos mostrar vulneráveis, por mais que estejamos. Talvez por isso, a postura descolada. Despreocupada. Desligada.

É igualmente um mecanismo. Mecanismo de defesa. 
Muitas vezes temos medo de transparecer insegurança ou fragilidade. Temos medo de sermos diminuídas por sentirmos.

Afinal, vivemos em uma sociedade em que as mulheres não podem certas coisas porque são sensíveis e emotivas. E os homens nem sequer podem chorar ou sentir. 

Já matamos tantos leões por dia simplesmente por sermos mulheres que nós às vezes optamos por nos esconder dentro de uma concha a ter que demonstrar quem verdadeiramente somos. Estamos acostumados com isso.

A gente ainda se importa muito com o que os outros vão pensar e com o que eles vão falar. Vivemos muitas vezes nos censurando por conta dos olhares de terceiros. Somos bem menos a gente. Nos empenhamos sempre para ser o que esperam da gente. Desde pequena.

Aí vira quase uma obrigação viver camuflado. Na minha opinião, as redes sociais contribuem para essa perpetuação de personagens.

O que acontece é que os homens têm usado esse argumento de que as mulheres são descoladas quando querem encerrar as coisas sem explicação ou quando querem simplesmente transar e pular fora.

Eles pensam: “mas ela é tão descolada, não vai se importar.”

Como se não sentíssemos as coisas.

Acho que por mais descolada, no sentido de desencada, que essa mulher seja ela vai querer saber daquele cara com quem ela tem o mínimo de intimidade que seja para ir pra cama porque as coisas não vão evoluir. Mesmo que ela não queira nada sério.

Às vezes confundem muito respeito com compromisso. Você pode não querer nada com ele e nem ele com você, mas respeito é o mínimo para qualquer interação pessoal. Vocês não precisam estar comprometidos necessariamente.

Homens, sejam dignos. Falem. Não fujam.
E mulheres, não tenham medo de sentir. Também falem.

Não somos menos por isso.
Não precisamos construir tantos escudos.

O verdadeiro sentido para mim do termo descolada é conseguir se mostrar como somos. Sem máscaras. Sem estereótipos.

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