o tempo do descartável

Eu ando dizendo por aí que nenhum relacionamento é descartável. E não é mesmo. A impressão que tenho dos dias de hoje é que as pessoas descartam as outras assim, de qualquer jeito. Os tempos de redes sociais, aplicativos de relacionamento, etc estão contribuindo para que a gente esqueça o olho no olho, a pegada, a vontade de conversar pessoalmente, aquelas horas de conversa dentro do carro, os sorrisos soltos. Os áudios no whatsapp certamente foram uma invenção para vida, mas eles não podem e não devem substituir as relações de carne osso.

Me sinto aflita ao perceber que essas coisas estão se perdendo na rotina da tecnologia, no medo que as pessoas têm de se envolver e com isso, vamos construindo barreiras cada vez mais altas. Não estou generalizando, sei que não é tudo culpa da tecnologia e sim dos tempos de hoje. Da correria e do fato de que simplesmente as pessoas têm passado a encarar as coisas de outro modo. 


Em 2011, escrevi no Facebook: baixe sua guarda e hoje republiquei. Não sei por que escrevi isso na época, mas hoje compartilhei novamente porque a sensação que tenho muitas vezes é que eu mesma levanto tantas “paredes” que as coisas perdem a naturalidade.
É meio imbecil esperar que um cara me mande flores antes de um convite para jantar? Ou que um cara passe o dia falando comigo (ok, com a ajuda da tecnologia desta vez) para descobrir tudo que conseguir em poucas horas? É esperar demais um convite para jantar em que só tenho que levar o vinho (ou talvez nem isso!)? Ou um convite para viajar com tudo organizado?

Eu me perco no ponto, às vezes. Mas a premissa é a mesma: a forma de se relacionar está mudando e acho que isso me incomoda. Essa efemeridade nas relações liga um alerta no meu lado romântico. Essa facilidade com que as pessoas se desligam hoje ou a facilidade com que as pessoas se desinteressam umas pelas outras é algo preocupante.

E gente, já passei da fase de achar que isso tudo tá ligado ao sexo. Eu acho imbecil uma pessoa virar para mim e falar: “ Ain, ele perdeu o interesse porque você transou logo de cara.” Foi mal, mas não temos mais 16 anos. O sexo é construído em etapas e assim ele fica cada vez mais delicioso. 

A intimidade é o que está em jogo. E nao deveria ser ruim ter intimidade. A forma como os relacionamentos se desenham hoje faz com que eu ache que as pessoas têm medo de intimidade. Quem sabe se você não se envolver, você não sofre, né?

Acho que no fundo todo mundo tem é medo de sofrer. Sofrer de amor. Chorar no banheiro, sentir aquela dor que parece que sufoca, sentir saudade que não passa, sentir medo de nunca amar de novo.

É uma bosta tudo isso. Concordo. Mas fugir disso é muito pior.

Aí as pessoas agem assim. Imagine a cena: você conhece um cara, começa a sair com ele direto, de repente acaba. Assim. Sem uma palavra. Um dia vocês se vêem, de repente não mais. E não tô falando de um maluco que você, sei lá , catou na night. É alguém que se dedicou minimamente. 

Aí você passa algumas horas ou sei lá dias pensando. Finge que esqueceu, mas continua pensando. Será que não vale mais a pena a pessoa virar para você e falar? Falar a verdade é sempre melhor. Acho que todas as relações merecem explicações. Posso estar sendo utópica e por mil vezes fugi de confrontos. Mas acho que não deveria ter feito isso. Gente, não tô falando de DR. Que preguiça que tenho das pessoas que acham que TUDO é DR. Sabiam que conversar faz bem? Sabiam que conversar de sentimentos é libertador?

Pois é. Devíamos tentar.

Eu sou refém da tecnologia. Afinal de contas, tô escrevendo isso no Facebook. Mas também desejo relações construídas no olho no olho, na mesa do bar, no jantar com os amigos, etc. Se você chegou até aqui, parabéns. Você pode ser refém da tecnologia como eu, mas ainda gosta de longas conversas <3

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