o tal do desapego

Não é nem final de ano e eu já tô cheia de resoluções. Eu quero praticar o desapego emocional. Na semana passada, escrevi aqui sobre se livrar de coisas tóxicas. Pois é. O desapego emocional é uma segunda etapa desse processo. Após reconhecer coisas que te fazem mal, é preciso aprender a desapegar. Tô dividindo com vocês essa tarefa porque sempre é mais fácil quando o esforço é coletivo. Haha

Sou só eu ou desapegar é difícil para porra? Ô dificuldade de admitir que certas coisas estão falidas e devem permanecer no passado.

Vocês já sacaram do que eu tô falando? Aquela história com o carinho que não desenrola, histórias repetidas de carinhas repetidos, um rancorzinho antigo, uma raivinha boba de alguma amiga ou alguém da família… sabe aquelas coisas que nos consumem e ocupam espaço, mas a gente finge que não liga? Pois bem. A gente liga, senão elas não estariam mais ali incomodando. Mesmo que seja no fundo da memória, num espaço pequeno da lembrança e do coração. Mas elas estão. E por algum motivo nós a guardamos.

Que fique claro que não tô incentivando ninguém a virar as costas para um amigo ou colega de trabalho por conta de um problema qualquer e desavença boba: não é isso. Mas sabemos quando certas coisas atingem o limite.

Eu tenho uma tendência, que imagino ser mundial, de não conseguir deixar as coisas simplesmente morrerem. Tipo, você saiu com um cara um tempo, vocês ficam de vez em quando, mas você já entendeu que não tem mais nada a ver e por muitas vezes nem tem mais prazer nisso, mas simplesmente não consegue cortar ele da sua vida ou virar só amigo.

Não estou dizendo que não deveríamos insistir muitas vezes, mas insistir demais é chato. Por que não simplesmente entender que deu o que tinha que dar e pronto? Às vezes, precisamos de um sinal ou de um limite criado por nós. Por exemplo, se ele não me chamar para sair até domingo, pronto, chega. Só eu sou assim? Rsrs. Esse foi só um exemplo! Fico com medo de falar essas coisas aqui e o povo me achar louca.

Eu acho que antes de mais nada devemos aprender a falar o que nos incomoda. Por vezes guardamos uma mágoa de uma coisa que talvez a outra pessoa nem saiba que magoou tanto assim. Às vezes algo que magoa para mim não magoa para o outro. E assim por diante. É claro que há padrões que se repetem e aí devemos pensar se vale a pena. Colocar na balança: as coisas ruins superam as boas? Ou ao contrário?

Isso não tem a ver só com relacionamento amoroso. Eu tinha uma super amiga na época de faculdade. Éramos mega próximas, mas ela era aquele tipo de pessoa que queria sempre ser o centro das atenções e colocar as outras pessoas para baixo. Eu não sabia lidar com isso. Sempre tive dificuldade de lidar com o confronto.

Uma vez ela fez uma intriga sobre um ex namorado meu e uma menina que eu morria de ciúmes. Pronto, plantou a pulga atrás da minha orelha. Talvez, ela só estivesse realmente querendo ser amiga, mas aquilo me fez mal. E eu não soube falar. Essa não foi a única vez. Então, eu decidi que ia me afastar. Não foi uma decisão fácil e não foi de uma hora para outra. Mas fui me afastando, até que deixamos de ser amigas.

Ah, ok. Vocês estão me achando uma escrota, né? Parece duro falar assim. Talvez seja por conta dessa síndrome que temos de não desagradar, de viver pelos outros e não pela gente.  Minha psicóloga sempre me falava: “Paula, você deve fazer as coisas por você. As coisas que você tem vontade. E não para agradar os outros.”

Demorou anos até eu entender como equilibrar as coisas. Ainda estou aprendendo o tal equilíbrio perfeito. Hoje entendo que desapegar de certas coisas é a melhor solução. O post acabou entrando numa história pessoal que tem consequências mais profundas por ser uma amizade de anos, mas a verdade é que o essencial é aprender a desapegar das pequenas coisas que nos fazem mal diariamente.

Pensem nisso 🙂

 

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