mais espontaneidade, por favor

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Tô longe de ser guru de qualquer coisa, ainda mais de relacionamentos. Tenho minhas inseguranças como qualquer um. E juro, não são poucas. Mas gosto de pensar que experiências trocadas sobre a vida nos ensinam muito.

Se hoje tivesse que dividir qualquer conselho sobre relacionamentos com vocês, aceitem esses: sejam espontâneos e se libertem do passado.

A espontaneidade é uma virtude rara, principalmente no início de uma relação. Cada vez mais rara, diga-se de passagem. As pessoas se controlam e se censuram desde o primeiro momento em que conhecem alguém interessante. Tipo, “se eu falar isso, ele vai pensar que sou aquilo.” Parece que tá tudo mundo sempre medindo palavras e atitudes. Nas redes sociais, principalmente.

Se polir não vai mudar o rumo das coisas. O amor não funciona assim. Talvez a atração, mas não o amor.

Eu acho que se um cara se interessou por você, ele quer sair com você. E não a sua “date version”, sabe? Tipo aquele personagem que fazemos nos primeiros encontros.

Não tô dizendo que você não vai escolher sua melhor roupa e sua melhor lingerie. [não sei vocês, mas a maioria dos caras que eu conheço estão CAGANDO cinco baldes para lingerie] Isso faz parte da adrenalina gostosa de sair com alguém pela primeira vez, mas no fundo sabemos que por mais que a primeira impressão faça diferença, não é isso que pesa na hora de fechar a conta, né? Se o papo não fluiu, o negócio dificilmente passa de uma única noite.

Uma vez eu saí com um cara que depois virou meu namorado. Era nosso primeiro encontro e eu era afim dele há meses. Ele me chamou pro cinema. Estávamos atrasados, então não deu tempo de comer antes da sessão. No cinema (eu que amo pipoca), fingi que só queria uma coca zero. E minha barriga já tava roncando.

Duas horas depois, saímos do cinema. Eu já queria comer a cadeira de tanta fome. Ele perguntou mais de uma vez se eu tava com fome e eu falei que não. Fiquei sem graça. Alguém me explica: sem graça do que? De comer? Quer coisa mais natural que isso?

Enfim fomos lanchar. Ele pediu um super pastel e mate e eu pedi um queijo quente. Minha vontade era de mandar um hambúrguer do tamanho da vida, mas de novo, quis fazer personagem e passei fome.

Esse é um exemplo típico do que acontece em primeiros encontros. Aquele momento mágico do primeiro encontro em que você acha que comer pode arruinar tudo. É uma grande bobagem.

Já aconteceu também de ir comer tapioca com um cara e depois chamar minha amiga para ir no Mcdonalds. Eu como muito e não deveria ter vergonha disso.

Claro que hoje, com o advento das redes sociais, é quase impossível existir primeiro encontro sem varrer a rede social da outra pessoa antes. [nesse quesito, eu sou antiga. Não gosto de pesquisar nada. Às vezes, antes do primeiro encontro, nem adiciono a pessoa no Face] Assim, você já sabe todos os gostos dela antes mesmo de beijá-la. Tudo bem, todos os gostos é exagero. Nem todo mundo é escancarado como eu nas redes sociais, mas você pode pesquisar preferências nas páginas do Facebook, gostos musicais, emprego, família, ver várias fotos, etc.

Isso não é totalmente ruim. Se a pessoa se deu ao trabalho de vasculhar detalhes da sua vida antes mesmo de te beijar é porque pode estar bem interessada. Ainda assim é tão gostoso aquela fase de descobertas, né?

Um exemplo clássico da falta de espontaneidade é se segurar para chamar a outra pessoa para sair. Eu sou da filosofia do: chama! O máximo que você vai escutar é um não. E por mensagem é tão mais fácil. Você nem tá olhando para cara da outra pessoa. Ninguém morre por causa disso.

Eu queria iniciar uma campanha #fimdosjoguinhos. Tipo, gatos e gatas, vamos parar de fazer tipo?

Você tá muito afim de sair de novo com o cara, mas aí não manda mensagem porque não quer deixar muito na cara que gostou. É bom saber que alguém gostou de você. Tem aquela clássica também: se vocês saíram na quarta, você tem que esperar até sábado para ver se ele te chama para sair. 

Quem foi que instituiu essas regras mesmo?

Eu tô criticando, mas volta e meia fico esperando o cara me procurar. Eu acho também que é importante que o outro lado demonstre interesse para você conseguir se situar. Esses primeiros encontros são complicados. É preciso pisar em ovos, ainda não tá tão claro se a outra pessoa tá afim… é tudo meio contido mesmo. O que na real é uma big bosta, né? Sejamos sinceros!

Quer uma dica? Se tem vergonha, aproveita um momento de fraqueza alcoólica e manda a bendita mensagem. Esses são os nossos momentos mais sinceros. É tão libertador escrever o que tem vontade sem pensar nas conseqüências. Nisso o álcool é seu melhor amigo.

Seja mais você. Se você quer mandar mensagem, manda. Se você quer comer, come. Se você quer beber mais, beba. Faça as suas vontades e se censure menos. Na maioria das vezes, estamos preocupados com o olhar julgador dos outros, quando na verdade, nós mesmas que estamos nos julgando.

Às vezes queremos tanto sair com uma pessoa que fingimos que gostamos de fazer alguma coisa só para agradar ou com medo de perder a oportunidade de estar com aquela pessoa. Tipo ir ao cinema ver um filme de terror no primeiro encontro porque você não tem coragem de falar que tem medo (meu caso! Odeio tudo que é filme de terror. Não posso nem ver o trailer que me cago de medo. Tenho pesadelos) ou topar fazer uma trilha de 15 km mega tensa porque você quer a companhia da pessoa e não tem coragem de falar que você não é do tipo aventureira. Acontece, gente!

Isso é reflexo da sociedade em que fomos criadas e vivemos. É esperado que nós não falemos o que pensamos. Certas coisas são condenáveis no comportamento de uma mulher.

Esse é o penúltimo texto da parceira Love Mojitos e Editora Guarda-Chuva. No livro “Manual da mulher solteira – um guia para amar e curtir sozinha ou acompanhada”, a autora Elizabeth Koosed fala sobre a síndrome da boa moça.

“A maioria de nós aprendeu que parte da nossa missão na vida é ser uma boa moça. Isso inclui ser passiva, não criar confusão, não erguer a voz, colocar os desejos e necessidades dos outros à frente dos nossos e corresponder aos padrões sociais de beleza feminina e etiqueta social. […] As mulheres são vistas como mais femininas quando são delicadas e dóceis. […] grande parte da nossa sociedade é construída de forma a apoiar, admirar e encorajar o molde da boa moça e repudiar a rebeldia feminina.”

A falta de espontaneidade às vezes pode ser um resquício do passado. Por exemplo, em relacionamentos anteriores aquela pessoa foi censurada ou se censurou tanto para agradar que acaba não sabendo fazer diferente.

Aí que entra o meu segundo conselho máximo em relacionamentos. A libertação do passado é essencial para o sucesso do seu presente e futuro.

Nós temos a mania de projetar frustrações antigas na pessoa que está com a gente agora. Coitada… ela não tem nada a ver com isso. Chegou agora. Sei que muitas vezes é inevitável, mas deve ser um exercício diário.

Cultivamos fantasmas e traumas do passado. Se você foi traído anteriormente, possivelmente você ficará bizarramente inseguro que isso aconteça de novo em todos os seus outros relacionamentos. Ou seja, você vira uma pessoa desconfiada, neurótica e ciumenta.

Se você traiu no passado, você tem medo disso ser um padrão seu. Traição não é uma doença, ou seja, não precisa necessariamente se repetir. Eu também não encaro a traição como falha de caráter. Na minha opinião é um erro sim, mas é algo do momento. Não acho que deve ser julgado por alguém de fora da relação.

Eu certamente já fui traída antes, mas também já traí. Me arrependo, claro, mas não acho que sou uma pessoa menor por isso. Sou humana e errei. Mas me perdoei.

Se um ex namorado te sacaneou, a melhor coisa que você pode fazer é: se perdoar antes de tudo e depois perdoá-lo. Tente extrair o lado positivo de cada história e bola para frente.

A verdade é que histórias mal resolvidas só trazem sofrimento para uma pessoa: você.

E olha que esse conselho está vindo de uma escorpiana. Nosso signo é muito rancoroso, mas luto diariamente para esquecer das coisas. Eu aprendi que rancor, raiva, lembranças ruins consomem a gente negativamente e só nos intoxicam.

Vejam a opinião da Elizabeth Koosed sobre esse assunto.

“Quando fomos injustiçada ou traídas no passado, e principalmente quando a pessoa que nos magoou não teve a integridade de admitir e assumir a responsabilidade pelos seus erros, tendemos a não esperar muito dos relacionamentos depois disso. Pode ser que você relute em namorar e se envolver por causa das experiências ruins que teve no passado. A boa notícia é que você tem uma ótima oportunidade de aprender com essas experiências e lidar melhor com a questão na próxima vez. Toda moeda tem dois lados. Em outras palavras, você também teve alguma participação no colapso do relacionamento anterior, mesmo que não tivesse total controle sobre todos os eventos que ocorreram. “

Portanto, reflita. Temos que viver o agora. Se liberte das cagadas do passado, aprenda com elas, mas viva o presente. Seja sempre espontâneo com as suas vontades. 

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