lovemojitos entrevista…

Bernardo Siruffo (28), criador do projeto Tesourinha, em Brasília.

Os ipês coloridos de Brasília são lindos, rendem fotos maravilhosas todos os anos e a gente que mora aqui não cansa. Para o designer Bernardo, eles representam muito mais do que um símbolo do fim da seca na capital federal, por isso, ele criou no início desse ano a marca Tesourinha.

“A Tesourinha surgiu por demanda. Eu fiquei sabendo que a Banca da Conceição precisava de produtos que falassem de Brasilia. Na época, eu não sabia o que queria fazer. Tinha acabado de sair de um estúdio que não deu certo. Surgiu essa demanda e eu fiz uns cadernos”, conta. Apesar de criar produtos mais comerciais, como camisetas e marca página, Bernardo garante que não procura o valor do produto e sim os valores sentimentais, como de memórias.

Bernardo conta as histórias se atropelando em si mesmo. Nas próprias lembranças. Por isso, quando o entrevistei, não ficou claro exatamente como a marca Tesourinha se separa do projeto de projeto de vendas de ipê, mas segundo ele a venda das mudas começou de forma complementar aos outros produtos da marca, mas hoje é o carro chefe. O seu avô é plantador de ipês há mais de 10 anos, então Bernardo achou que a venda seria uma forma interessante também para falar de Brasília.

Atualmente, Bernardo está vendendo ipês de 15 em 15 dias no restaurante Grand Cru. “Por demanda, eu voltei a vender as mudas. Não era minha ideia, mas percebi que era um marketing bom. Tem a minha paixão, do meu avô e de todos por ipês”, explica Bernardo. “Vejo potencial para construir uma relação mais humana com os clientes. A minha ideia principal era vender no vasinho, criar um laco afetivo. A pessoa que compra um ipê comigo quer plantar o ipê, vai contar a historia dela. O meu atendimento dura em média meia hora. Fico batendo papo.”

Bernardo é apaixonada pelo ipê branco, mas sabe onde florescem todos os ipês da cidade. “Muita gente acha que sou botânico, mas não sou”, conta rindo.

Apesar de parecer, Bernardo não teve sempre uma visão super romântica de Brasília. Com 17 anos, ele foi morar em Belo Horizonte para cursar faculdade e só voltou depois de sete anos. Foi nessa época que sua relação com Brasília começou a melhorar. “Eu sempre estranhei Brasília. Achava uma cidade toda igual, só seca. Queria gente na rua”, relembra o designer. “Estando em BH, apesar de amar a cidade, comecei a olhar Brasília com outros olhos.”

Quando retornou à capital federal, Bernardo trabalhou na loja do Tônico Lages, que utiliza árvores mortas do cerrado. A partir daí, Bernardo começou a apurar o olhar. Saindo de lá, ele montou um estúdio de arte com dois amigos. Eles passaram dois meses fotografando Brasília nos mínimos detalhes, como por exemplo o encaixe de um banco com o chão no Itamaraty. “Eu aprendi a achar o que eu queria em Brasília. Vejo que tem muita coisa que ainda quero falar sobre Brasília. Tudo aqui é inspirador.”

Planos para o futuro da Tesourinha, Bernardo tem aos montes. Um deles é investir mais em peças de design arte, mas de forma simples. “Eu quero fazer algo acessível. Não um banco de 20 mil reais. Quero que as pessoas levem Brasília para dentro de casa”, conta. “A minha tentativa talvez seja entregar um pouco do que sentimos e menos do que vemos.”

 

 

Author Description

Posts recentes

Sem respostas para “lovemojitos entrevista…”

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado Campos exigidos estão marcados com *


*