lovemojitos entrevista…

Dani e Carol, do site Quadrado Brasília. 

Elas se conheceram ainda crianças, amigas de superquadra – uma das coisas boas da infância em Brasília. Jornalistas, elas se reencontraram anos depois como colegas de profissão. E aí decidiram criar um blog para escrever sobre Brasília. É uma mistura de factual com poesia que agrada!

Antes de morar em Brasília, todo mundo me falava que o esquema era “ame ou deixe a cidade”. Aparentemente, não há meio termo quando o assunto é Brasília. Eu sou apaixonada pela cidade e tenho sentido um movimento muito legal de pessoas querendo resgatar esse amor por Brasília. Mudar a cidade, melhorar, reocupar espaços e aprender com essa troca.

O Quadrado Brasília, hoje um site, surgiu com o intuito de compartilhar coisas da cidade e é hoje um dos espaços mais democráticos para falar da capital federal. Sou fã desde sempre!

LoveMojitos: O blog surgiu em 2012. Qual era a ideia?
DANI – Naquele ano, eu e a Carol nos reencontramos, depois de muito tempo. A Carol já tinha um blog, que ela escrevia em Paris, onde morou por sete anos com a família, e eu perguntei se ela não topava fazer um blog sobre Brasília. Ela tava voltando da França, eu tinha voltado há pouco tempo de Fortaleza, depois de seis anos morando lá, então as duas estavam numa fase de readaptação com a cidade, de querer ter um olhar novo, redescobrir Brasília. Isso uniu a gente muito rapidamente. A ideia era também ser um contraponto àquela antiga onda de reclamação, quando as pessoas repetiam como um mantra: “Não tem nada pra fazer em Brasília”. Decidimos compartilhar as coisas boas da cidade, ajudar a divulgar o que os criativos e empreendedores locais estão fazendo. A cidade tem muita coisa boa pra mostrar e pra ser vista, as pessoas precisam ficar sabendo.
LoveMojitos: Como que o blog foi se modificando ao longo do tempo para hoje chegar a ser um site?
CAROL – A gente faz o Quadrado de forma muito intuitiva. Nossa única regra é só falar do que realmente a gente gosta, do que a gente quer falar do fundo do coração, sem nunca se pautar pelo que querem que a gente fale ou muito menos por interesses comerciais. Acho que é isso que faz com que os leitores se identifiquem com os textos, que de fato procurem os artistas, os criativos, os empresários de quem a gente fala… Com isso a gente criou uma grande rede – as pessoas de Brasília, nossos leitores e as pessoas de quem falamos, fazem, na verdade, o site junto com a gente. Daí veio a ideia de colocar mais gente produzindo conteúdo com a gente, seja como colaboradores, seja na nossa agenda que a gente colocou ali na página principal do site, com espaço pra todo mundo sugerir eventos que estão rolando na cidade. Além disso, tem o mapa, que mostra logo de cara um panorama geral dos lugares sobre os quais a gente fala.

LoveMojitos: Sou carioca e tem 5 anos que moro em Brasília. De primeira, senti uma coisa meio “panelinha” das pessoas aqui. Todo mundo diz que aqui os grupos são de acesso restrito e tal, mas acabei que fiz muitos amigos. Como vocês avaliam a cidade e as pessoas?

DANI – Brasília já teve mais fama de cidade seca, de pessoas distantes, acho que isso mudou bastante. Brasília tá cada vez mais solar, mais aberta, ocupando os espaços públicos, festejando nas ruas. Pra quem nasceu e cresceu aqui, como a gente, é difícil ter o mesmo olhar de alguém que se mudou pra cá adulto, sem raízes aqui. Mas eu já morei em outra cidade e talvez eu tenha passado pelas mesmas dificuldades lá, em Fortaleza, que pessoas de fora passam aqui, em Brasília. Recomeçar em outro lugar é complicado mesmo, demanda tempo e abertura pro novo, e mesmo assim é muito raro que o lugar novo ocupe o espaço afetivo da cidade onde você se sente em casa. Acho que a imagem que a gente tem de uma cidade depende mais do nosso próprio olhar e do grupo com que a gente convive, do que da cidade em si.

LoveMojitos: O blog surgiu com uma proposta de integrar a cidade. Brasília já mudou muito (desde que cheguei percebo mudanças), mas ainda é uma cidade nova. Como vocês avaliam essa questão da ocupação urbana?
CAROL – A gente concorda que mudou muito mesmo nesses últimos quatro anos. Tem muitos eventos muito legais acontecendo, piqueniques coletivos, eventos gratuitos que levam a gente pra conhecer e explorar os diferentes espaços públicos. A gente adora e vive isso muito intensamente, mas ainda temos muito pra crescer e pra melhorar – como, por exemplo, com eventos que promovam mais a integração de pessoas de diferentes níveis sociais, de diferentes lugares do DF…


LoveMojitos: Quais projetos de integração urbana vocês destacariam?

CAROL – A gente adora iniciativas como as do Experimente Brasília, que mostra faces da cidade que são pouco conhecidas, adoramos eventos de cinema ao ar livre, shows dentro de parques – como os concertos da Orquestra Sinfônica que já aconteceram dentro do Olhos d’Água… Tudo o que junta iniciativas culturais diferentes e interessantes e a delícia que é aproveitar os espaços verdes e públicos da cidade.

LoveMojitos: Para uma pessoa que é de fora e não quer curtir a Brasília “óbvia”, quais são boas dicas?
DANI – O primeiro é dar uma olhada no Quadrado, um site muito legal (risos). A gente tem agora um espaço de agenda, pra avisar dos eventos que estão acontecendo na cidade, porque boa parte das coisas legais que acontecem aqui são itinerantes. Cada fim de semana acontece uma feirinha, um evento ou uma festa diferente, então é bom se informar sobre o que tá rolando. Eu olharia também a programação do Experimente Brasília, que sempre tem opções muito bacanas, como os passeios de barco e de bicicleta.LoveMojitos: Qual a perspectiva do Quadrado daqui pra frente?
CAROL – Essa pergunta é difícil. A gente pensa muito em se aproximar de outros públicos, conversar com outras faixas etárias, por exemplo. Queremos também abrir espaço editorial para outros colaboradores, gente que a gente admira. E estamos muito marcadas pela experiência incrível da Feirinha do Quadrado, que uniu nossos leitores e os empresários e criativos que mais admiramos, que participaram como expositores e tocando workshops. Queremos muito continuar criando algo nessa linha.

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