lovemojitos entrevista…

 Luiz, 27, e Bruna, 24, da marca Hoy, Ahoy. 

luiz e bruna

Faz tempo que namoro a marca pelo instagram. Sempre curti o estilo das roupas, a pegada urbana e a estética das fotos. No entanto, sai dessa entrevista ainda mais encantada pela trajetória dos dois. Namorados, eles trocaram de curso na faculdade, empreenderam no mercado árido de Brasília e hoje estão com uma marca consolidada e super consciente. Desde a concepção da coleção até as ecobags que são entregues aos clientes, tudo é pensado de forma sustentável. Luiz explica a linha mais slow fashion da Hoy, Ahoy.

“As marcas grandes vendem coleções para durar três meses. Quer dizer que a camiseta que você vende tem duração de só três meses? A gente acha isso errado. Você tem todo um trabalho de pesquisa, de produção, gasto de tecido, costureira para sua camiseta durar 3 meses. No mínimo, no mínimo a camiseta tem que durar um ano no seu armário. A gente quer vender com preço justo, mas a gente também quer pagar um preço justo para produzir as peças. É o que não acontece no fast fashion. As pessoas querem consumir cada vez mais uma coisa mais barata, que você vai usar menos vezes e você paga mais barato para quem produz”, explica.

Essa é uma das minhas coisas preferidas sobre ter blog: a oportunidade de conhecer as pessoas por trás de marcas que admiro. Foi um prazer enorme fazer essa entrevista com Luiz e Bruna.

http://www.hoyahoy.com/
instagram: @hoyahoy


LoveMojitos: Como surgiu a marca?
Luiz: A marca surgiu voltada para o jiu-jitsu. Eu já treino há um tempo e tinha dificuldade de comprar quimono. Sabia que a galera aqui de Brasília tinha dificuldade, porque não existe loja. No Brasil, são poucas as marcas que fornecem legal.  Muita gente comprava de fora. Eu sentia essa falta. Juntei com um amigo e criamos a marca para fazer quimono. Só que na hora do vamo ver, ele desistiu. Abri sozinho a marca e fiz os quimonos. Quando fiz os quimonos, eu sentei com um amigo meu que é consultor e ele falou: “Que massa. O preço é bom, qualidade é boa. Vai dar um dinheiro, mas de quanto em quanto tempo uma pessoa compra um quimono? E quem te garante que a pessoa que comprou o 1 quimono contigo, vai comprar o segundo?” Aí ele deu a ideia da camiseta e eu comecei a fazer camiseta, casaco, boné. E acabou que o quimono foi ficando para trás porque os outros produtos foram vendendo mais.

Desde que criei a marca para quimonos, a gente tinha uma pegada muito urbana. Mesmo sendo voltada para jiu-jitsu, eu não queria que a marca tivesse uma cara de pitboy. Queria que a marca tivesse uma pegada mais moderna e diferente. Desde o dia 1 eu queria fazer uma coisa diferente. Isso que deu a identidade da marca. Tipo, as fotos preto e branca, uma linguagem mais limpa.

obs: Atualmente, a Hoy, Ahoy não vende mais quimonos. Eles vendem uma camisa de compressão que pode ser usada para treinar.

LoveMojitos: Por que da escolha do nome?
Luiz: Decidir o nome é sempre complicado. Tudo é muito clichê. Quando a gente decidiu criar a marca, a gente decidiu primeiro o símbolo que era uma âncora e só depois o nome. O nome que surgiu primeiro foi Ahoy, ligado a âncora, é uma saudação entre marinheiros. Adaptamos para Ahoy, Brasil. No começo deste ano, mudamos o nome da marca.

Bruna: Ahoy é um nome muito comum, então em vários lugares a gente via. Tem uma marca de cookie na Austrália, tudo tem Ahoy. A gente queria uma coisa para ficar diferente, por isso, pensamos na expressão.

Luiz: Eu falo Ahoy e a pessoa fala Hoy. O que fizemos foi inverter. Foi uma mudança que estávamos preparando desde o ano passado, mas estávamos esperando para fazer uma mudança só. A gente lançou dia 01 de janeiro a marca nova.

LoveMojitos: As marcas atuais, mais independentes, estão mais minimalistas. Vocês sentem essa tendência?
Luiz: Eu e a Bruna somos muito minimalistas. A gente gosta de coisas lisas. No dia a dia uso muita coisa sem estampa. Todo começo de ano, a gente define a paleta de cor e segue isso o ano todo. Ou seja, temos uma coleção por ano. É uma nova tendência no mercado, de slow fashion mesmo. A gente faz uma coleção por ano com várias peças sendo lançadas conforme os temas. O preto e branco são sempre predominantes. Temos estampas coloridas, mas são na minoria das peças. É importante ter as estampas porque são as peças que mais chamam atenção. Nem são as que mais vendem. Elas têm a pegada do old school, com as cores verde, vermelho, amarelo e preto. 

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LoveMojitos: Vocês vendem muita peça de moletom. É uma tendência que vejo crescendo, antes era mais de esporte.
Luiz: A gente sempre procurou roupas confortáveis. A marca tem uma pegada muito dia. A gente tá querendo trabalhar agora com peças que possam ser usadas à noite. A nossa visão de marca sempre foi o cara ter uma camiseta legal para ir para faculdade, para passar o dia todo. Nossas camisetas e casacos, por exemplo, são ajustados, mas não tão ajustados. É mais solto. A gente procurou bermudas de moletom, que eram tendência lá fora. As que tinham chegado no Brasil eram de marcas gringas, então eram muito pesadas.

Bruna: O moletinho feminino, que é o short, a gente já tava pesquisando há mó data, mas não tinha peça de referência para mostrar pra modelista. Só por foto. Normalmente, você só vê esses shortinhos assim em esporte, academia, mas eu saio para todos os lugares com os meus. Para balada, de dia para faculdade com tênis. Isso que é legal.

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Luiz: A gente usa muita referência gringa. O short foi exatamente isso. A gente sabia que ia dar certo, era super tendência, mas a gente não conseguia nem passar direito para costureira. Quando tinha algo, era tipo Adidas. Era muito voltado para academia. A gente não conseguia nem explicar. Foi uma coisa que demorou para fazer.

LoveMojitos: Como funciona o processo de criação?
Luiz: Eu e a Bruna fazemos a concepção das peças. A gente senta, busca referências baseadas no tema. Aí a gente passa para a ilustradora. A produção é toda de Brasilia. A gente tem um tema e dentro desse tema a gente trabalha os elementos. O tema dessa coleção é Terra à Vista, então usamos elementos ligados ao descobrimento, chegada do homem branco às Américas. A gente tentou buscar o que a gente pode trabalhar nesse tema a ver com o mundo de tatuagem e old school. A índia, a pantera, o flamingo.

LoveMojitos: É mais difícil pensar em coleções atemporais?
Bruna: É mais difícil porque às vezes você tá muito empolgada naquele momento com uma tendência e depois de dois meses já tá saturado. Isso é ruim para marca. Tem que pensar muito bem em algo que é da moda, mas durável.

Luiz: A Bruna tem uma pegada mais acelerada para moda e eu tenho uma pegada mais tradicional. A gente pensa: o que tá na moda? Camiseta longline com corte transversal. A gente pensa: até quando? Bermuda de moletom tá na moda, é tendência, vai durar, então vamos produzir.

Nosso processo de criação é mais lento. Uma concepção de um produto novo, o processo de pensar até estar pronto para venda demora até 3 meses. Fazer a modelagem, fazer peça piloto, testar peça piloto. O casaco fizemos fora de Brasília. É um processo lento ainda. 

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LoveMojitos: Como a formação acadêmica de vocês ajuda na marca? (Eles fazem Design de Moda)
Luiz: A gente trancou a (matrícula) Universidade de Brasília (UnB) porque não estava mais conciliando. Eu fiz Agronomia durante 5 anos, não gostava, não me identificava. Durante o curso surgiu isso da marca. Pensei em mudar para agronegócio porque é mais administrativo, para aprender mais sobre processos. Só que eu não conseguia. Chegava na aula e abria o notebook e ia pesquisar sobre coisas da marca. Eu não ficava mais ligado na aula.

Luiz: (Atualmente) É legal porque tem muito a ver com nosso dia a dia, né? A Bruna fica com a parte mais conceitual da marca e eu faço muito o dia de produção. Eu fazia muitas coisas no erro e acerto e a faculdade de Moda nos ajudou a entender mais do processo.

Bruna: A metodologia a gente aprendeu lá no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) e a gente tenta colocar todo o curso para a nossa marca, para fazer mais sentido a gente estar lá. Tudo que é trabalho, a gente faz voltado para marca.

LoveMojitos: Brasilia é um mercado restrito para moda? Como vocês veem isso?
Luiz: Quando eu comecei, dois anos atrás, eu achava que eu era a aberração. As pessoas não entendiam direito o que eu estava fazendo. Brasília tem a tradição de fazer camiseta de uniforme para eventos, escolas, restaurantes. A parte produtiva de Brasília é voltada para isso. Então quando eu comecei a sentar com as costureiras e explicar o que eu queria, elas achavam exagero. “Pra que vai fazer com essa acabamento todo? Para que esse tecido tão caro?”. Até nosso custo é um pouquinho mais alto do que deveria ser porque a gente busca um acabamento melhor. É todo muito bem pensado.

LoveMojitos: O mercado on-line é o forte de vocês. Tem funcionado?
Luiz: O movimento on-line do Brasil ainda é muito fraco. A Netshoes e Kanui dão certo porque o marketing é muito forte. Se você quer comprar um tênis da Nike, você não compra direto na Kanui. Você vai na loja da Nike, experimenta, coloca no pé, sente o tecido e você vai pesquisar online e acha mais barato. Lá fora, o movimento é mais evoluído. As pessoas compram até móvel.

A nossa dificuldade é exatamente essa. Se a gente vende online, a pessoa gosta e ela só compra aquela peça, porque ela já conhece. É difícil fazer uma venda casada de camiseta e bermuda, por exemplo. Como a gente participa de eventos, tipo Picnik, é uma oportunidade das pessoas que acompanham a gente, mas não compram on-line ir lá, tocar no tecido, vestir, provar e tomar coragem de continuar comprando on-line. A gente faz muito cliente nesses eventos. Tanto que o pós Picnik para gente é muito melhor que o evento em si, porque é quando a pessoa já olhou, tomou o gosto, confiou e começa a consumir on-line.

LoveMojitos: O que tem de novidades?
Luiz: A gente lançou na semana passada, uma parceria com o Mão (que é um artista urbano, que faz uma grafites). Foi uma coisa que tava pensando faz tempo, de umas peças totalmente personalizadas. Cada peça vai ser diferente da outra. Foi essa parceria que lançamos com eles, mas vamos manter a mesma paleta de cores. Essas camisetas vão ter uma pegada mais verão, mas a nossa coleção atual vai até dezembro.

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Grafite e moda misturados na parceria com Mão.

 

LoveMojitos: E quais os próximos planos?

Luiz: Queremos abrir uma loja física até pra compensar essa coisa do brasiliense não comprar tanto on-line. Esse é um gargalo. A loja vai ajudar a criar uma identidade. Eu era contra o espaço físico, mas acho que as pessoas ainda sentem necessidade. A nossa ideia atual é uma loja em Brasília e vender para multimarcas fora de Brasília. 

Eu sempre adorei vender. Sentia prazer em vender. Trabalhei um ano na loja Reserva como vendedor. E me lembro de pensar: “Caraca, tenho que viver disso.” Adoro quando eu produzo a parada e eu vendo. Meu momento de êxtase é quando faço entregas. Gosto de conversar. Milhares de marcas vendem camiseta e bermuda, mas por que você tem que consumir a minha camiseta? Por que a marca usa uma âncora? É bom eu ter o atendimento para explicar o caimento. A marca é o que é hoje em dia porque ela reflete o que a gente é.

 

 

 

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2 Respostas to “lovemojitos entrevista…”

  1. 2 de setembro de 2016

    Luiz Correa Responder

    Muito bom! =D

  2. 14 de janeiro de 2017

    Vanessa Leão Responder

    Blog maravilhoso, post maravilhoso!! Adoroo ler artigos sobre bermudas, principalmente as tendências do ano 🙂

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