lembranças fotografadas

Um dos meus grandes traumas de relacionamento é porta retrato. Não gosto desse item de decoração.
Quando eu era adolescente, namorei dos 16 aos 19 anos e meu quarto era lotado de porta retrato e fotos mil dele.

Terminamos pela primeira vez com um ano de namoro. Foi aquela choradeira para tirar todas as fotos do quarto e desde então criei um verdadeiro pânico de porta retrato. Pense numa adolescente bem dramática. 

Mal sabia eu na época que isso não me impediria de sofrer ou guardar lembranças. Afinal, o porta retrato é somente um símbolo. Se fôssemos eliminar todos os vestígios do ex na nossa vida, teríamos que apagar músicas, restaurantes, filmes, etc. As memórias são lembranças e isso a gente não apaga, né?

E depois de pouco tempo, percebemos que as lembranças são gostosas. Não existe motivo para querer apagá-las. E quando falo traumas, saibam que estou exagerando porque sou assim, mas são manias que vamos desenvolvendo, né?

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O mais engraçado é que o trauma é de porta retrato. Não de foto. Eu sempre amei foto. Mas por algum motivo, talvez pelo próprio simbolismo do porta retrato, eu simplesmente não consigo tê-los. É claro que os tempos mudaram. Hoje tiramos fotos de celular, postamos, mas não revelamos. O que significa que num término de relacionamento, a decisão deve ser: tirar ou não tirar as fotos do instagram e facebook. 
Desde que moro sozinha, sou tenho fotos na geladeira. De amigos e família. Namorado nunca tive.
Namorei sério por quase 3 anos um menino aqui de Brasília. Morávamos juntos e não tínhamos nem porta retrato e nem foto nossa na geladeira. Para não ser injusta, tínhamos aquelas tirinhas de fotos 3×4 que tiramos numa loja em NY. Ainda assim, coloquei na geladeira com muita resistência.
É como se eu achasse que não ter as fotos fosse me impedir de sofrer pelo fim. É um preciosismo tolo, né?
Afinal, já dizia a música do Leoni:
“O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia”
Se fosse assim, nunca mais iríamos nos relacionar com ninguém, né? Eu mesma teria trauma de morar com alguém porque o processo de terminar e encaixotar as coisas é mil vezes pior do que qualquer fotografia. Mas não. Vivemos tudo isso de novo. Quebramos a cara, sofremos horrores e aí a vida mostra que sempre há outra pessoa que vale mais a pena.
Eu estou pronta para comprar um porta retrato! <3

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