joga a real

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Eu não sou de simplesmente esquecer as coisas. Desencanar como dizem por aí é uma processo pra mim. Tenho mania de querer colocar um ponto final em tudo. Odeio deixar coisas em aberto. E por vezes, perco a oportunidade de criar possibilidades futuras por não gostar de deixar a porta entreaberta ou encostada. Eu sou daquelas que funciona com começo, meio e fim. Gosto de pontos finais. Eles me libertam.

Gosto de acreditar que encerrei ciclos. E para isso, até hoje, o ponto final é a melhor maneira encontrada. Na maioria das vezes, gosto de colocar esses pontos finais de forma verbal. Tem coisas que precisam ser ditas. Verbalizadas, colocadas para fora, digeridas, mas principalmente compartilhadas. Se eu vivi uma história seja de apenas 2 dates ou 2 anos com uma pessoa, quero que ela saiba o que se passa na minha cabeça e coração.

Eu não tô falando de discussão de relação, porque morro de preguiça dessas. Tô falando de expressar sentimentos, inconformidades e desconfortos. Que seja uma forma de aprendizado mesmo para as relações futuras.

Por várias vezes na vida, não acho que fui tratada como merecia e não acho que tratei algumas pessoas como elas mereciam também, mas em todas essas vezes eu quis falar. Sou uma pessoa das palavras [percebe-se pelos textos longos]. Sou uma pessoa de colocar os pingos nos is e sou uma pessoa acima de tudo humana que sente tudo muito pra caralho sempre.

E não acho errado querer falar do que eu sinto. E sinto sempre muito. Intensamente. Pro bem ou para o mal. Por várias vezes no último ano, vivi algumas histórias que acabaram sem uma única palavra e isso me incomodou. 

Se eu tô gostando de um cara (e quando gosto, gosto logo) quero que ele saiba. Não tenho paciência para joguinhos ou esconde-esconde. Se gosto, eu quero. E não tenho vergonha de assumir. 

Eu exponho meus sentimentos. Sou de pagar para ver, apostar alto e se não for rolar, prefiro saber. Viver angustiada não dá não. Só faz mal e dá ruga. Parece que Woody Allen tem uma famosa frase que diz: 90% do sucesso se baseia simplesmente em insistir. E se tem uma coisa que eu sei fazer é insistir. Mas eu insisto até um certo ponto e não me acho inferior por isso. Se acho que vale a pena, estou disposta. Mas também tenho o meu limite, mesmo quando eu gosto bastante.

Dói sim quando uma relação (tempo de duração em aberto) termina sem encerrar. Sem saber porque, sem motivo, sem explicação. Se não quer mais ficar, fala. Não somos mais crianças para fugir do que vivemos.

O complicado é que muitas vezes só queremos curtir mais um pouco, ver onde vai dar, ver onde pode dar. Sabe alguém com potencial? Pois é.

Alguns vão falar que estou dramatizando. Eu sou a rainha do drama e do exagero, é um fato. Mas acredito que se as pessoas perdessem 10 minutos do dia delas simplesmente falando, o mundo estaria bem melhor.

Odeio com todas as forças a teoria do “ah, a verdade é que ele não está afim de você”. Isso serve para o homem quanto pra mulher. Se não está afim de mim mais, me fala. Tenho o direito de saber. Eu sei que na maioria das vezes as atitudes (ou falta delas!) falam por si, mas isso não deixa de ser covarde da parte da pessoa.

Sabe aquela coisa que fazemos quando somos adolescentes? Tratar o outro mal para ver se ele termina o namoro? Isso para mim tem outro nome: molecagem. Quando você é de fato moleque até vai, depois é desonesto. As pessoas acham que só porque elas não começaram nada oficial, elas podem sumir. Pode ser que vocês me achem complexa, mas prefiro ser assim do que não viver as coisas plenamente.

Tenho orgulho de dizer que todas as pessoas que significaram alguma coisa para mim sabem da importância delas. Isso é algo bom de falar. Acho que todos têm direito de saber. Se tem uma coisa que eu não faço é me arrepender por ter falado algo. Nunca. Eu não sou essa pessoa.

Mas claro que eu já fui covarde. Por vezes me frustro por não ter mais coragem de encerrar meus próprios ciclos.

O problema, na verdade, é que ninguém gosta de fechar um ciclo amoroso, porque sabidamente um amigo meu me falou: “isso mantém as possibilidades abertas”, quando expliquei de um cara que visivelmente não tava na mesma vibe que a minha.

O mais complicado de decidir simplesmente desistir do cara é porque normalmente é alguém que acredito ter potencial. Mas ao mesmo tempo, eu sei que se ele quisesse, ele faria um esforço. Não há desculpas. Ainda mais hoje com as tecnologias. Quem quer quer. E se ele não quer, azar o dele, certo? Ainda mais se ele não consegue ser sincero, aí mesmo que eu tenho que pular fora.

Quem quer mesmo enfrenta ônibus lotado, chuva, trânsito, chega com a sessão do cinema já iniciada, vai contigo numa festa maluca, te chama para almoçar no meio da semana, te leva no restaurante preferido no final de semana, mas não te deixa esperando. 

Aí cabe a gente decidir se quer que ele tenha essa possibilidade de querer na hora que bem entender ou se podemos tomar as rédeas da situação e mandar um sonoro não. Sem arrependimentos de fechar essa porta, porque ao que tudo indica é melhor assim. Cabe a você decidir!

 

 

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