crônica dos tempos de solteira

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A solteirice é a vivência plena das seguintes frases: “Coloquei chiclete na cruz.” e “Sou para raio de maluco”. Atire a primeira calcinha ou cueca quem nunca disse isso. É quase um mantra de tão repetido.

É a mais pura verdade. É neste período que conhecemos os malucos, psicopatas, neuróticos, mal resolvidos, metidos, convencidos, enrolados, casados infelizes. É uma variedade sem tamanho. Não poderíamos esperar nada diferente quando se tem uma população mundial de mais de 7 bilhões de habitantes. Essas coisas vão acontecer naturalmente. Vocês vão se esbarrar por aí. Não tô falando nenhum novidade, né?

A impressão que tenho é que ficam todos escondidos em uma ilha e aí quando você tá solteira, eles recebem um sinal e aparecem ao mesmo tempo. Tipo, velho que sai com o carro de colecionador no domingo a tarde para dirigir, sabe? Todos ao mesmo tempo.

Uma recente observação é que com o advento dos aplicativos para conhecer gente esses tipos estão ainda mais acessíveis. Você não precisa nem sair de casa.

Por exemplo, tem o cara meio stalker. Com o aplicativo Happn, que mostra somente pessoas com quem você já cruzou, fica fácil. Ele saberá quantas vezes cruzou com você. É muito louco, né? Tipo, o brother pode ser seu vizinho. Ou seja, se vocês sairam uma vez e não encaixou, fudeu! Ele tá nas redondezas.

Tem um dado que sempre me assusta: parece que pouco mais de 1% da população mundial é de psicopatas. Foi-se o tempo em que os psicopatas eram aqueles serial killers de filme ou o Miguel Falabella em “As Noivas de Copacabana.” Esse seria um extremo. Mas psicopatas são na sua essência pessoas frias, manipuladoras, narcisistas e principalmente superficiais.

É uma mistura do Alex de “Verdades Secretas”, Christian Grey de “50 tons de cinza” e aquele carinha comum que você só achava meio esquisito e com problemas para se envolver emocionalmente. Normalmente, ele é também é mega competente no trabalho. O cara é capaz de correr atrás de você por meses, te mandar 100 mensagens por dia, te encher de mimos. Quando te conquistar, ele sai fora. É uma caçada.

Agora vem um dado ainda mais bizarro: é 4 vezes mais comum encontrar psicopatas nas empresas do que na população em geral. Com isso, eu só posso dizer para vocês: corram para as colinas de mãos dadas com o Darth Vader e a Bruxa de Blair, mas não tenham um office romance.

Galera, conselho de amiga. Não rola de se envolver com o chefe, o colega de repartição, o estagiário. Vai dar merda. Talvez se for uma multinacional com muitos andares, aí o encontro fica mais improvável. Ainda assim você sempre corre o risco de encontrar no elevador, no refeitório ou pior ainda, em uma reunião.

Claro que quanto mais a gente pensa nessas coisas, mais estereotipadas ficam as histórias, que certamente rendem bons áudios no whatsapp –  diga-se de passagem foi a invenção do século. No mundo de hoje é tudo on record instantaneamente, mas ao mesmo tempo deixa de ser relevante depois de 10 segundos – taí o sucesso do snapchat. Afinal (e essa frase, eu mesma já escutei!), não vamos nos dar ao trabalho de escutar um áudio de um minuto, né?

Um tipinho bastante conhecido é o do cara que trabalha demais. Às vezes, ele pode ser um mix do psicopata. Ele nunca tem tempo para sair, está sempre em reuniões e nunca é um bom momento. Para combinar o primeiro encontro já é um sufoco. Vocês combinam um jantar, aí você é rebaixada para um almoço e por fim é só um suco correndo mesmo e olhe lá.

Dica: eu também trabalho muito. Isso é muito comum nos dias de hoje. Vivemos para trabalhar e não trabalhamos para viver. Porém, quando a gente quer, tempo a gente cria. Nesse caso, acho que as coisas são muito preto no branco e as desculpas são esfarrapadas .

Na maioria das vezes, eu diria: é, esse cara não vale a pena. A graça de sair com alguém solteiro é que essa pessoa está disponível. Claro que você não espera um comprometimento diário. Afinal, vocês não têm nada sério. Não diria nem semanal, mas se for de 15 em 15 dias é pior que visitação de pais separados.

Um dos meus preferidos é o cara do Fantástico. Essa expressão eu que inventei. Vocês certamente já passaram por isso. É aquele cara que some o fim de semana inteiro e reaparece no domingo na maior cara de pau pagando de namoradinho e te chamando pro cinema. Ou seja, beijou metade da cidade na sexta e sábado, se bobear ainda pegou herpes, mas domingo quer dormir de conchinha. Eu diria o seguinte: se você estiver de acordo com isso, aproveite o cinema e a conchinha, só não se envolva.

Tem aquele cara também que na quarta já marca de sair contigo no sábado. Esperto. Não quer dar chance para te chamarem para um programa melhor no fim de semana. Mas aí quando chega o sábado, ele simplesmente não aparece. A resposta dele provavelmente vai ser na linha: “Ah, mas não combinamos nada certo. Ainda íamos marcar. Deixamos em aberto.”

Você passa a ser a louca que tá cobrando. E pior, muitas vezes nós sentimos até culpadas e podemos chegar ao cúmulo de pedir desculpas.

Diria que ele arrumou algo melhor (ou alguém que ele considerou melhor!) para fazer e esqueceu que já tinha te pré-agendado. Homens desconsideram que na maioria das vezes mulheres são ansiosas. A gente se planeja, se depila, pensa na roupa, às vezes até roupa nova compra.

Sejamos sinceros: quando estamos solteiros, a gente hierarquiza. A vida é assim, gente. Como diria uma amiga minha: a gente faz gestão de pessoas. Tem aquele cara que é o do momento, o mais importante, o que você conhece pouco, mas já considera pacas. Esse cara tem prioridade na sua agenda. Sendo assim, se ele te chama para sair, pode acontecer de você desmarcar algo para encaixá-lo. Homens também fazem isso.

Só que pode ser que ele seja o seu número 1, mas pelo que parece você não é a dele. Por isso, ele deixa para te chamar para sair bem em cima da hora, já que as outras gatinhas dele não vingaram. Entenderam a lógica? E se ele te deu bolo, pode ser que outra gatinha “melhor” (que não tem ele como número 1) chamou ele em cima da hora para sair. Tudo é um ciclo.

Acho que um dos tipos mais conhecidos é o cara déjà vu. Este é um termo da língua francesa que significa “já visto”. Déjà vu é uma reação psicológica que faz com que o cérebro transmita para o indivíduo que ele já esteve naquele lugar, sem jamais ter ido, ou que conhece alguém, mas que nunca a viu antes.

Esse é o tal rolo antigo. Sempre que vocês estão solteiros, vocês se pegam, mas o disco não muda. Vocês já tentaram e nunca deu certo. Os problemas são os mesmos. Ou seja, a sensação de ficar com esse cara é típica de déjà vu. Dica: sai fora, amiga. Na maioria das vezes, não acrescenta nada e só traz dor de cabeça.

Fato da vida é que conseguimos arranjar desculpa para todos esses tipos de caras. São frases que dizemos para nossas amigas e que escutamos o tempo todo. Mas na realidade sabemos que quando o cara quer, o cara corre atrás. É simples assim, gente!

Recenetemente, desenvolvi uma teoria sobre um tipo chamado por mim do cara detox. Ele é o cara que antecede o cara que será seu namorado. Ou seja, ele funciona para te desintoxicar desses manés que você pegou nos últimos meses.

Na maioria das vezes é um cara diferente, meio misterioso. Muito bem resolvido com a solteirice dele. Ele não quer namorar você e deixa isso claro desde o início. Você também não quer namorar ele, mas ele vai servir como interruptor para você chegar a conclusão de que quer e está pronta para namorar novamente.

O nome detox é uma invenção minha: assim como o suco detox te prepara para iniciar uma dieta, limpando o organismo e tal, o cara detox te prepara para começar um namoro e deixar para trás essas histórias da solteirice. Muitas vezes, ele caga tanto para você, como se tivesse praticamente te fazendo um favor, que não dura muito. Você percebe que quer algo diferente, algo mais sério e aí pula fora.

O cara detox funciona como um insight. Ele te faz pensar. Vocês conversam sobre temas mais profundos, da vida, relacionamentos, família. É praticamente um terapeuta.

E aí finalmente tem o cara certo na hora certa. Tanto ele quanto você já cansaram disso tudo e por coincidência do destino se encontraram no mesmo momento da vida. Essas histórias fofinhas também têm graça, são aquelas que nos fazem suspirar. Mas essas ficam para outro dia.

O melhor da solteirice certamente são as experiências adquiridas e compartilhadas que dariam para escrever um livro.

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