aquela boa e velha (amiga) mentira

Quero dividir com vocês uma mentirinha que já me contei algumas vezes. É aquela mentirinha branca que contamos para nos enganar.
Aquela que achamos que não tem muito problema. Como aqui o papo é reto, tipo mesa de bar, vou confessar.

Eu já disse para um cara que estava afim a frase “criminosa”: então, vamos ser só amigos!

Pra quê?

Na intenção de ganhar tempo até ele mudar de ideia. É aquela ilusão: achei que se ele me conhecesse, a desculpa que ele tava usando para não me dar uma chance seria insuficiente.
Temos alguns pontos a serem analisados aqui. Sejam vocês meus juízes. Vamos lá:

– Essa era uma mentirinha que eu achava que espertamente estava contando para ele, mas na verdade estava só me enganando nisso tudo. No fundo, eu só tava alimentando a minha paixonite naquela falsa amizade.

– Quando temos que criar muitas justificativas pela outra pessoa, consequentemente expandimos nossa zona de conforto. Vamos criando mais e mais desculpas para aceitar comportamentos nem sempre legais.

Somos mestres na arte de não enxergar certas coisas óbvias. No caso aqui, a total falta de interesse dele em mim.

Essa história é uma daquelas que te contam e você pensa logo: “gata, sai dessa. O bofe não tá interessado”. Mas dificilmente alguém manda esse conselho na lata, né? E a gente tem essa mania de ir se enganando, achando que vale a pena insistir. Afinal, se eu tentasse mais um pouquinho, desse mais uma chancezinha, insistisse só até o limite… A verdade é que às vezes o cara tá só sendo muito educado, mas a gente insiste em enxergar como interesse. Quando é a nosso favor vale tudo, né?

Na história desse cara aí que tô relatando,  como eu vi que não tava evoluindo pro lado que eu queria, pensei que não tinha mal propor uma amizade. Afinal, quem não quer mais um amigo sincerão na vida, né? Só que no fundo, eu só tava fingindo que queria ser amiga. Não éramos amigos, nunca fomos e não seríamos, já que meu interesse com ele era outro. Quando se quer ficar com uma pessoa e ela não quer, não se engane achando que só amizade vai ser suficiente. Não vai.

Às vezes, a gente se prende num ciclo por medo de tirar a outra pessoa completamente da nossa vida, porque melhor um pouquinho do que nada. Mas essa lógica não funciona. Se a pessoa não quer a mesma coisa que você, não insiste. Você vai acabar se frustrando. 

As histórias de amor impossíveis ficam nos filmes e livros, porque na vida real o buraco é bem mais embaixo. A gente idealiza, mas no fundo se a coisa tá tão difícil assim para começar, se a outra pessoa está se mostrando tão indiferente e indisponível, por que diabos a gente acha que a partir daí será possível construir um relacionamento?

Aí a gente se engana mais uma vez e fala para si mesmo: “relacionamento? Eu só quero chamar ele pra tomar uma cerveja. Conhecer ele melhor. Quem sabe até ficamos amigos.” No meu caso, nem pro bar ele tava topando ir. Aquilo me revoltava. Por que ele não queria nem me dar uma chance?

Eu puta pensava: por que ele tava sendo egoísta de não dividir a maravilhosidade dele comigo? Errada estava eu que alimentei essa falsa amizade achando que ele mudaria de ideia quando me conhecesse e visse a pessoa incrível que sou. Ele tá no direito dele de não querer descobrir o quão foda eu sou. E ele não é uma babaca por não querer me conhecer melhor. Ele só não estava interessado.

Quem sabe se uma amiga na mesa de bar tivesse me dito isso lá atrás, me pouparia um trabalhão de me enganar, né, migas? Ou não. Sabe por quê? A gente precisa enfrentar as coisas, encarar a realidade, quebrar a cara trocentas vezes para evoluir, aprender, amar mais e melhor.

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