a realidade

A verdade é que ensinam para gente desde pequenininha muitas coisas sobre o amor. E vocês, meus leitores, sabem, né? Sou apaixonada pelo tema. Tiete, líder da torcida organizada, bem dedicada ao assunto. Mas nem por isso sou incapaz de ver as adversidades.

O que ninguém conta é que é preciso paciência.
Paciência na conquista, paciência no relacionamento, paciência para superar dificuldades.

Não fomos ensinados a lidar com o médio/longo prazo, com a conquista, com o possível não.
Sempre nos fizeram acreditar que éramos únicos, especiais e imbatíveis.

Não é uma questão de autoestima, é uma questão geracional. Nossa geração cresceu acreditando que tudo podia.
Como ninguém gosta de falar de coisa ruim, as adversidades do caminho são pouco lembradas. Isso não é ensinado. 

Quando um cara é mais difícil, já aconselhamos logo as amigas a desencanarem. “Ele não quer nada contigo. Parte para outra!”.
Concordo que muitas vezes essa é a saída mais rápida. Mais fácil. Menos dolorosa, muitas vezes. Na maioria das vezes, nem conseguimos entender porque não tá rolando. Temos uma trava contra a negativa.

Mas quem disse que as melhores coisas da vida vem assim de bandeja? O mais curioso é que os discursos que escutamos ao longo da vida são todos pautados no trabalho árduo, na meritocracia, no plantar para depois colher. Mas aí quando o assunto é o amor, achamos que não vale a pena esperar. 

Ou seja, pro amor a máxima que vale é: tá difícil? Então, você não tem que insistir nessa história. Por que lutar por alguém? 

PS: Isso não significa de forma alguma ficar em um relacionamento fálido só porque é preciso insistir muitas vezes mesmo nas dificuldades. Acho que cada um sabe o seu tempo de dizer tchau. Já fiz um post aqui – modéstia à parte muito bom. Tô falando aqui mais no sentido da conquista. 

É aí que acho que fomos nos acovardando diante do amor.
Temos tanto medo de sentir algo forte, que não vamos saber controlar, que precisamos pular fora antes de ver se o barco vai ou não afundar.

Essa é uma realidade quase que unânime nos dias de hoje. Porque se tem uma coisa que todos nós podemos dizer que já fomos nessa vida é alguém covarde. A impressão que eu tenho muitas vezes é que estamos retrocedendo. 

Estamos nos fechando com medo do que podemos viver. Olha a loucura: estamos com medo do que é potencial.

Vivemos em busca de um amor verdadeiro, né? Mas a verdade é que temos medo também.

A covardia está em simplesmente aceitar algumas coisas sem lutar, está em desistir do amor, em se fechar para viver experiências. Ou de viver experiências demais sem profundidade. Covardia de assumir que tudo bem ficar sozinha também. A vida tem seus momentos. Estamos mais individualistas. Menos dispostos. Ser covarde é não pagar pra ver, é não correr atrás de quem nos faz feliz e simplesmente deixar algumas coisas para lá. Assim sem explicação.

Você nem tem a chance de se apaixonar ou chamar a pessoa para sair, porque logo de cara ela já tá te dizendo que não quer, que tá bem solteiro.

Covardes são aqueles que não falam o que pensam, que julgam os outros e que fogem de viver intensamente as sensações. O covarde se priva consciente ou inconscientemente de sentir algo. A covardia nada mais é do que o medo, a desconfiança, a incerteza, que culminam na falta de vontade de se jogar.

Ser covarde não é mudar de ideia, não é abrir mão de um sonho para correr atrás de outro, não é deixar uma história pra trás.
Ainda assim, todos terão dias de covardia na vida. Que sejam só dias mesmo. Que possamos viver num mundo em que as pessoas falam mais abertamente dos sentimentos e se permitem viver mais as coisas.

O que tô percebendo, porém, é que para algumas pessoas o valor das declarações está minguando. É como se não soubéssemos lidar com aqueles sentimentos expostos ali. Fica como se fosse um elefante branco na sala. E as palavras não têm um peso bom e sim um peso ruim.

Precisamos aprender, principalmente, a paciência para esperar a hora certa. Aí as coisas se encaixam.

Foto: Felipe Guga.

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