a nova regra da vida

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Tem gente que acha que para conquistar alguém precisamos fingir ser outra pessoa. Mais contida, mais arrumada, mais sensual e consequentemente menos nós mesmas.

Eu já achei isso. Afinal, passamos a vida inteira escutando coisas assim.
Somos aconselhadas a não nos mostrar muito logo de cara, a não transar na primeira noite, a não mostrar que estamos sofrendo ou que gostamos muito, escutamos que é melhor arrumar alguém que goste mais de você do que você dele e assim vai. 

Discordo de tudo isso! Aprendi que não quero viver um personagem. Talvez fique mais tímida no início, por conta da intimidade que ainda não existe, mas jamais serei outra pessoa. Existe um desconforto natural em um primeiro encontro. Isso faz parte do charme. Mas se controlar o tempo todo cansa.

Quero sair com pessoas com quem eu possa ser natural. Acho que a maior afinidade é quando rola das duas pessoas estarem à vontade. Seja no cinema, jantando, numa festa ou na cama.

Nunca gostei de fazer joguinhos. Espontaneidade é tudo. Gostou, liga. Quer sair, chama. Não gostou, joga a real.
Temos que falar o que queremos. Sempre. É na lata mesmo que se vive. É jogando aberto que se conquista. Não dá para ficar cheia de não me toques.

Saí com um cara que eu ficava super pisando em ovos. Nunca sabia até onde podia avançar. Ele também não dava abertura. Aí eu percebi que eu sofria mais depois da saída pensando nas coisas que tinha deixado de fazer do que efetivamente me divertindo no momento. Aí quando quis colocar um ponto final na história, ele disse que achava que as coisas estavam fluindo.

Como diz a minha psicóloga, estavam fluindo porque eu tava fazendo todo o esforço. Se eu não tivesse tomado todas as iniciativas, não teria saído da primeira noite. Assim também não dá.

Aproveitando que já estamos em clima de festas de final de ano, tô com essa resolução, então, para valorizar mais os caras fáceis. Sabe aquele cara que flui naturalmente? Não é preciso se controlar ou fazer um esforço pra conversar e além do mais, nunca coloca mil empecilhos para sair.

Difícil porque costumo ter um dedo podre escolhendo. São sempre os complicados, indisponíveis emocionalmente, namorando, enrolados, cafajestes, etc. Tudo que é tipo de complicação é comigo mesmo. Mas eu cansei de ser sempre a pessoa que insiste para que o curso das coisas avance. 

Gosto dos caras que saem segunda, quinta, sábado. Gosto do cara que sai dois dias seguidos. Gosto do cara que na entrada do bar pega na minha mão. Sem frescuras. Sem regras. Sem indisposições. 

Joguinho é tão antigo. Minha mãe fazia, nossa vó devia fazer. E ainda tem gente que vive a conquista sempre nessa dinâmica. Você faz uma coisa premeditando a ação que você quer da outra pessoa. Não, gente, tá tudo errado. Nada mais é do que uma manipulação pura e simples.

É tão planejado que deveria ser ensaiado. Coisas do tipo: fala isso porque aí ele vai pensar isso, ou espera 3 dias para chamar ele para sair, ou diz que não quer quando na verdade você quer e muito para ele ficar com mais vontade.

Foi mal. Esse não é o mundo que quero pra mim. Eu me baseio 100% do tempo em vontades. E tento correspondê-las integralmente. Não quero manipular sentimentos ou alterar sensações. E eu não vou forjar situações também.

Eu escrevo muito aqui sobre ser espontânea. Sobre ser verdadeira. Sobre falar mais dos sentimentos. Eu tô aprendendo isso aos poucos. Isso pra mim é a beleza de se relacionar. A sua melhor relação vai ser sempre com alguém que você pode ser você 100% do tempo. 

Esses dias eu li em um site “traduções” do que os homens realmente querem dizer quando usam determinadas frases. Isso por si só já é imbecil. Cada pessoa é uma pessoa.

[Sim, as mulheres analisam demais as coisas. Remoemos demais as coisas. Sofremos desnecessariamente. Sei que os homens não passam 5% do tempo que perdemos com essas conjecturas.]

O contexto era o seguinte: a mulher diz que vai viajar e o cara fala que não quer ir.
Aí o texto seguia assim:

Você entende da frase dele: “Oba! Vou ter um fim de semana de folga de você. Vou aprontar.”
A melhor tradução pra frase dele: “Será bom ficar um pouco longe um do outro. Sentir saudade é saudável.”

Eis que surge o pior conselho que alguém pode dar: os tais “especialistas” do site. 

“Todo homem é meio adolescente. O que pensa é: ‘Vou poder fazer bagunça, ver futebol o domingo todo, chamar os amigos”, explica Xico Sá. Viaje tranquila: gostar de ter a casa só para ele não significa que planeje aprontar. Mas Sá dá a dica: “Não o deixe 100% seguro de que sua viagem é inofensiva. Aí pode ser que ele mude de ideia e resolva ir”.

Então, o certo seria inventar que tinha algo a mais nessa viagem? O certo é deixar o namorado/parceiro encucado? O certo seria inventar algo para ele sentir ciúmes e ficar inseguro?

Ah tá. Que sucesso esse relacionamento.

É disso que estou falando. Pessoas que fazem joguinho no relacionamento ou antes dele são as mesmas que testam a namorada ou namorado o tempo todo. Isso não é um relacionamento, tá mais pra peça de teatro.

Vou dar um exemplo do que já aconteceu comigo.
Estava jantando com um cara (estavámos namorando havia umas 3 semanas) e ele virou pra mim e falou:

– Talvez eu me mude de cidade, disse ele.
– Poxa, como assim? Começamos a namorar tem pouco tempo. Por que não falou antes? Acho que esse é o tipo de coisa que temos que conversar. Eu te falaria se estivesse pensando em me mudar. Talvez nem começasse um namoro, eu disse.

Aí fiquei encucada com aquilo. Depois de um tempo, voltei ao assunto e falei:

– Poxa, como que você me conta assim que vai possivelmente se mudar. Nem contou detalhes, nada, eu disse.
– Na verdade, eu não vou me mudar. Eu estava te testando para saber sua reação, ele disse.

PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER. Fazer isso não é aceitável e não é normal.

Vamos parar, gente, de querer o tempo todo prever as coisas. Relacionamentos devem ser naturais, gostosos, fluídos.
Eu já tinha feito um post aqui sobre o #fimdosjoguinhos e continuo apoiando essa causa! O amor agradece!

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